SELIC 15,00% ▲ 0,00pp IBOVESPA 132.480 ▼ 0,4% IPCA (12m) 4,2% ▲ 0,1pp USD/BRL 5,42 ▼ 0,2% CDI 14,90% — estável IFIX 3.310 ▲ 0,3% SELIC 15,00% ▲ 0,00pp IBOVESPA 132.480 ▼ 0,4% IPCA (12m) 4,2% ▲ 0,1pp USD/BRL 5,42 ▼ 0,2% CDI 14,90% — estável IFIX 3.310 ▲ 0,3%

Categoria: Economia

Temas gerais, temas práticos, temas teóricos, da economia brasileira, da economia global e da economia do dia a dia

  • A IA está patinando e isso pode custar caro para o mercado.

    A IA está patinando e isso pode custar caro para o mercado.

    De 2019 para cá, o valor de mercado das empresas americanas em bolsa subiu de US$ 33 trilhões para US$ 78,74 trilhões, uma alta de 132%, com o acréscimo de US$ 44,8 trilhões ao estoque de riqueza daquele país. É um resultado excepcional que, por sua natureza, pode ter agregado vários pontos percentuais ao PIB do país, por meio do efeito riqueza, investimentos privados e outros canais. Essa valorização das empresas americanas deu-se por sua enorme capacidade de gerar lucro, de sua capacidade de competir em muitos mercados, de sua criatividade e várias outras qualidades. Mas uma parte significativa dessa valorização se deu, em grande medida e talvez mais mais do que pelas qualidades que citei, da expectativa de geração de lucros gigantescos com a Inteligência Artificial (1). NVIDIA, Microsoft, Alphabet, Meta, Tesla, SpaceX, Micron, e várias outras subiram de forma espetacular, não pelos lucros gerados em IA, mas pelos que serão gerados daqui para a frente.

    O Goldman Sachs tem a expectativa de US$ 1 trilhão de gastos globais com IA nesse ano, sendo US$ 581 bilhões só nos EUA. O JP Morgan aposta que serão gastos US$ 5,5 trilhões no setor até 2030. A McKinsey, por sua vez, estima que a IA generativa tenha potencial para produzir de US$ 2,6 trilhões a US$ 4,4 trilhões anuais em benefícios econômicos, considerando 63 aplicações empresariais. Esses ganhos decorreriam de aumentos de produtividade, redução de custos e ampliação das receitas em diferentes atividades. São números gigantescos e mostram um enorme potencial dessa nova tecnologia e, o que nos importa para essa postagem: muitos lucros para as empresas envolvidas. Mas é aí que mora o problema, já que não sabemos ao certo se esse crescimento terá essa magnitude, se ele trará os ganhos que se esperam e, tão importante quanto, quem serão os ganhadores. Os ciclos de revoluções tecnológicas mostram os enormes ganhos que eles proporcionam às empresas e à sociedade, mas também mostram que essa coisa toda não tem nada de linear. Há momentos de explosão de crescimento, seguidos por recessões e quebras de empresas. Há momentos em que surgem indivíduos e empresas inovadoras que prometem um enorme sucesso, mas depois acabam sendo punidas por um ciclo de correção dos exageros cometidos na fase de euforia. E a questão é sempre essa: quem vai ganhar e quem vai simplesmente desaparecer do mapa?

    Estamos vivendo um momento em que ninguém está se importando muito com isso. Grandes bancos, fundos de investimentos, empresas de Venture Capital (2), empresas de Private Equity (3), imprensa especializada e os investidores pessoas físicas (os sardinhas, ou naives). Mas alguns investidores qualificados já começam a levantar dúvidas quanto ao verdadeiro potencial da IA em gerar receitas, de seus custos, das empresas que poderão vencer a batalha, do tamanho da alavancagem (endividamento!) desse ecossistema e dos efeitos de juros mais elevados em decorrência da inflação e da pressão dos déficits públicos globais, sobretudo do americano.

    Como são vários trilhões de ganhos para muita gente importante, é bastante razoável pensar que o problema é grande demais para pensarmos sobre isso. Talvez seja melhor ficarmos quietos e aproveitarmos a maré de grandes ganhos enquanto podemos. Vamos nos juntar à festa! Mas preste atenção, o índice S&P500 bateu a máxima histórica de  7.850 em 06 de outubro e caiu 3,5%, desde então. O Nasdaq, de grande participação de empresas de tecnologia, bateu a máxima histórica de 31.300 e caiu 5,5%. As FANG+ (a grandalhonas da tecnologia, agora chamadas de hyperscalers) caíram 7%. As ações do Nasdaq CTA AI (empresas expostas à IA) caíram 13% e recuperam alguma coisa em dois pregões, graças ao IPO da Anthropic, sobre o qual vou falar mais à frente. Essas quedas são normais em ciclos de alta e as chamamos de realização. Os investidores, em algum momento do ciclo de alta, resolvem colocar algum lucro no bolso e vendem parte das ações que subiram, fazendo o mercado cair para depois continuar subindo.

    O problema dessas quedas atuais é que elas vieram junto com os balanços de Meta, Alphabet, Microsoft e Amazon, que mostram resultados ligados à IA muito ruins, exceto pela Meta. As empresas estão gastando muito dinheiro, estão fazendo dívidas e começam a perder fluxo de caixa. Empresas como essas, já estabelecidas e com mercados formados e consolidados, raramente perdem capacidade de gerar caixa em seus balanços. Aliás, essa é característica mais emblemática de gigantes como elas. Admiramos sua solidez e sua capacidade de gerar caixa com seus lucros. Ocorre que a IA está comendo boa parte desses lucros, para que sejam construídos os datacenters que vão dar suporte aos produtos de IA que, se tudo der certo, serão vendidos no futuro. E aí é que está o ponto chave: por futuro devemos entender, ao menos em finanças, algo que não aconteceu e que, com alguns modelos, esperança e espírito de luta, poderemos transformar em verdade trimestres à frente. Sempre há uma margem de erro e muitas coisas podem acontecer para desafiar nossas esperanças e espírito de luta. Da mesma maneira que Sam Altman, o guru da Open AI, milhares de banqueiros, gestores e investidores estão apostando muito dinheiro que as vendas de tokens vão render trilhões de lucros no futuro.

    Hoje saiu a atualização do S-1 da Anthropic que está disponível no site da SEC, a CVM dos EUA. O S-1 é um documento de mais de 300 páginas que conta a história da Anthropic desde 2023 e faz algumas projeções para o futuro. No dia 26/10 ela subiu o S-1 com resultados até o segundo trimestre desse ano e hoje ela subiu o resultado do terceiro trimestre. O mercado ficou extremamente feliz com essa notícia que, junto com a queda de 7% do petróleo (4), fez o mercado se recuperar, ao menos até o momento em que Apple fez os investidores ficarem infelizes com seu resultado. O tradicional vai e vem do mercado, claro. Mas, a despeito de tudo isso, vamos olhar a Anthropic porque, afinal, ela é muito importante. Uma parte significativa desses trilhões que iremos ganhar no futuro virão dos produtos que ela vende.

    Vejamos a evolução dos resultados empresa, em bilhões de dólares dos EUA:

    Tabela com indicadores financeiros, incluindo receitas, despesas operacionais, resultado operacional e margem operacional, com dados trimestrais.

    As receitas cresceram de forma vigorosa entre o terceiro trimestre de 2025 e o terceiro trimestre de 2026: de US$  1,38 bilhão para US$ 16,95 bilhões, uma alta de 1.126% em um ano. Isso é resultado do aumento do número de clientes e da mudança de tarifação de seus serviços. Vale notar, adicionalmente, que o prejuízo operacional caiu de US$ 3 bilhões, para US$ 567 milhões. Uma boa informação, não fosse o fato de que ela teve lucro no segundo trimestre e voltou para o prejuízo no terceiro. Isso acontece, explicam os executivos da empresa, porque suas despesas de computação são apuradas em regime diferenciado. Ela aluga grande parte da capacidade computacional que utiliza para testar e rodar seus modelos. E a utilização dessa capacidade computacional, que é gerada nos datacenters, é feita sob contratos de longo prazo, cuja maioria é de caráter inegociável, ou seja, deve ser pago independente da utilização ou não. Os compromissos são esses:

    Tabela com compromissos financeiros, incluindo compras, arrendamentos e contratos para diferentes prazos, totalizando aproximadamente 895,4 bilhões de dólares.

    Sim, é o que você entendeu, ela deverá pagar para terceiros o valor de US$ 895,4 bilhões nos próximos anos, independentemente de quanto faturar. A maior parte disso ela deve para as empresas bem conhecidas, abaixo:

    Tabela apresentando compromissos financeiros de empresas como Microsoft, Google, Amazon, SpaceX.AI, Nscale e Lambda.

    Duas coisas são interessantes: ela deve bastante e boa parte das receitas futuras das grandalhonas da tecnologia são com a Anthropic e com Open AI. Esses compromissos serão  de algo como US$ 45 bilhões por ano até 2030 e, depois, de US$ 150 bilhões por ano. Além desses US$ 895,4 bilhões ela deve outros US$ 175 bilhões, que podem ser convertidos em ações.

    Mas as preocupações não param por aí:

    • Ela tem uma concentração grande de suas receitas em alguns clientes, o que a torna vulnerável a um  número modesto de empresas.
    • Uma parte significativa de seus clientes são Startups ou empresas de Private Equity, que trabalham alavancadas, com dívidas que dependem dos juros de mercado. Os juros estão subindo para o setor privado em decorrência da inflação, do déficit público dos EUA e do aumento da percepção de risco sobre o setor. A Oracle está pagando o equivalente a 293 pontos base acima dos títulos do Tesouro dos EUA; o da Meta está em 119 pontos e o da Apple em 44 pontos base. A apple é uma grande geradora de caixa, ao passo que Meta e Oracle são perdedoras de caixa, o que torna seus custos de dívida maiores. A Oracle é campeã porque seu fluxo de caixa negativo e sua dívida são muito maiores que os da Meta. Com a pressão sobre os custos de dívida e sobre o setor, que têm fluxos de caixa negativos, a situação dos clientes da Anthropic fica mais vulnerável.
    • Não há garantia de que as receitas continuarão a crescer mais rápido que as despesas. As despesas estão pressionadas pelas condições apertadas da produção de chips, infraestrutura e energia. Além disso, as receitas podem ter uma taxa de crescimento limitada pela competição, já que Microsoft, Alphabet e Meta também querem crescer nesse setor. Para complicar ainda mais, as concorrentes chinesas têm preços muito menores e vantagem de “customização”, que podem reduzir os preços unitários do setor.

    São vários elementos que nos chamam atenção todos os dias para os riscos envolvidos nos investimentos da IA. Não estou considerando a discussão econômica e nem os riscos existenciais. Essas discussões eu fiz em dois calls especiais, um sobre o livro Poder e Progresso, do Daron Acemoglu (5), e o outro, “Inteligência Artificial: o fim do mundo?”, com as posições a Aghion e Acemoglu sobre o tema (6). Considero que o mundo terá uma enorme melhora com as contribuições da IA nas descobertas científicas e na melhoria da produtividade dos negócios. A questão que coloco aqui é sobre o desafio financeiro: quem ganhará, quanto ganhará e quando ganhará. O duro dessa parte é que precisamos esperar o “futuro” acontecer para saber de forma determinística, sem chance de errar. Até lá, o futuro é isso que vemos todos os dias no mercado: muita expectativa, muita esperança e muita sorte!

    (1) DT proibiu o uso do termo Inteligência Artificial e está obrigando a todos que usem Super Inteligência. Declino, obrigado!


    (2) Empresas gestoras de fundos que investem em startups e negócios em estágio inicial, com elevado potencial de crescimento, mas também alto risco de fracasso. Em troca do investimento, recebem participação acionária e buscam ganhos com a valorização e posterior venda dessa participação, geralmente em uma aquisição ou IPO. (Retirado da SEC.gov, a CVM dos EUA).

    (3) Empresas gestoras de fundos que investem, geralmente, em companhias mais maduras e estabelecidas, frequentemente adquirindo participações de controle. O objetivo é melhorar a eficiência, aumentar a rentabilidade e vender a participação posteriormente por um valor superior. Podem utilizar endividamento para financiar aquisições. (Retirado da SEC.gov, a CVM dos EUA).


    (4) Baseada em mais uma esperança e muito espírito de luta de que EUA e Irã irão assinar a paz em breve, mesmo que nenhum dos dois concorde minimamente com as condições do outro. 

    (5) https://youtube.com/live/crSGr3ei5Ag

    (6) https://youtube.com/live/FYodbbf505k?feature=share

  • O mercado elege as políticas?

    O mercado elege as políticas?

    Muitas pessoas, inclusive economistas, acreditam que o mercado, a “Faria Lima”, atua politicamente sobre governos. Apóiam determinados políticos e desaprovam outros. Com uns, fazem  “apostas” otimistas, com outros, ao contrário, fazem chantagem. Mas, na verdade, “o mercado” é impessoal, ao menos do ponto de vista da teoria econômica. Os agentes que participam do mercado compram e vendem ativos, associando informações do presente a expectativas acerca do futuro. Nessa postagem tento explicar porque “o mercado” derreteu após a vitória de Lula em 25/10/2026.

    O sistema de preços em uma economia de mercado contém todas as informações disponíveis que os agentes utilizam para tomar as decisões que os determinam. Desde o mercado de parafusos e alfinetes (muito citados por Adam Smith em 1776), até o mercado de moedas e títulos (gigantes que dominam as finanças globais), os preços refletem as informações que determinaram a oferta e a demanda. Podemos fazer muitas críticas ao capitalismo, mas o sistema de preços é que o há de melhor nele. Para o equilíbrio macroeconômico no país X, no momento t, há milhares de mercados equilibrando preços e quantidades de milhões de bens e serviços, que utilizam as informações disseminadas pela sociedade em X e t. Se esse conjunto de informações muda em X e t, os preços e quantidades mudam, alterando o equilíbrio que vigorava até então. Note que há um conjunto de agentes, de mercados, de informações, de países (X) em um determinado momento do tempo (t). O que faz essa coisa toda funcionar é o grande tema da ciência econômica, desde que ela surgiu. Trabalhadores entram com trabalho, recebendo salários. Empresários emprestam seu capital para empresas (ações ou dívidas) e recebem dividendos ou juros. Temos o setor externo que compra e vende bens e serviços (balança de transações correntes) e ainda investe no país (X) em (t). Por fim, para a enorme tristeza dos anarcocapitalistas (seres humanos totalmente diferentes de nós todos), há o estado, que arrecada impostos e distribui bens públicos. Importante notar que esse sistema se equilibra não apenas em t, mas ao longo do tempo (t tende ao ♾️), o que exige que cada decisão leve em conta as informações disponíveis para o futuro. As empresas contratam investimentos hoje e só terão seus produtos para vender alguns trimestres (ou anos!) à frente. Elas dependem de hipóteses acerca dos preços que valerão ao longo do tempo (energia, matérias primas, aluguéis, juros, salários, impostos, etc…). Esse conjunto de hipóteses acerca do futuro é que determina as decisões de gastos agora chamamos de expectativas.

    Acima expus algumas dimensões do equilíbrio macro: agentes, informações, preços, quantidades e, sobretudo, EXPECTATIVAS.

    Veja os preços do mercado financeiro e de capitais: moedas (refletem informações e expectativas sobre o balanço de pagamentos), ações (informações e expectativas em relação aos lucros corporativos), títulos (informações e expectativas sobre a capacidade de pagamento do devedor, a inflação futura, etc). Essas expectativas tentam refletir as informações disponíveis em t sobre como vão se comportar todas as dimensões da economia. Há várias formas da Teoria Econômica abordar essas expectativas, mas uma coisa é consensual: elas mudam à medida que informações novas são obtidas. Um exemplo claro é a guerra de Trump no Irã, que afeta o mercado de petróleo a cada tuíte do presidente dos EUA e cada mudança de preço no petróleo mexe com todos os mercados, por conta das expectativas inflacionárias.

    Feitas todas essas considerações, afirmo que hoje, 26/10/2026, vimos o índice Ibovespa cair 15%, o futuro do dólar subir 9% e os juros para títulos de dez anos subirem para 15,3%. O que mudou?

    O mercado se defrontou com a realidade, que impõe que teremos mais quatro anos de governo Lula e, com ele, a mesma política fiscal adotada nos últimos quatro anos. O que isso nos diz? Primeiro que podemos conviver com déficits primários (receita – despesas ex-juros), juros elevados e crescimento mais baixos (por conta dos juros elevados). Já estou chegando lá.

    Vamos montar um cenário como esse abaixo:

    AnoDív/PIBCrescimentoJuro RealDéficit Primário
    202682,46%1,90%6,20%-0,60%
    202786,54%1,50%6,20%-0,30%
    202890,84%2,00%6,20%-0,13%
    202994,72%2,00%6,20%0,00%
    203098,62%2,00%6,20%0,10%
    2031102,58%2,00%6,20%0,30%
    2032106,51%2,00%6,20%0,47%
    2033110,42%2,00%6,20%0,50%
    2034114,47%2,00%6,20%0,60%
    2035118,58%2,00%6,20%0,60%
    2036122,87%2,00%6,20%0,60%
    2037127,32%2,00%6,20%0,60%
    2038131,97%2,00%6,20%0,60%
    2039136,80%2,00%6,20%0,60%
    2040141,83%2,00%6,20%0,60%
    2041147,07%2,00%6,20%0,60%
    2042152,53%2,00%6,20%0,60%
    2043158,21%2,00%6,20%0,60%

    Lembre-se que todos os agentes, em nosso equilíbrio geral, precisam olhar para frente e fazer hipóteses sobre como a economia vai se comportar. Nesse caso, estamos olhando para o comportamento da dívida brasileira, que hoje está em R$ 11 trilhões, o equivalente a 82,46% do PIB (que é a renda que todos os brasileiros recebem em um ano). A taxa de crescimento que vou colocar é 1,9% agora, 1,5% no ano que vem e, depois, sempre 2%. Coloco um déficit primário de “apenas” 0,6% hoje, ele vai caindo e vira um superávit de 0,6%. Nesse cenário, por uma conta matemática muito simples, teremos uma dívida equivalente a 100% do PIB entre 2030 e 2031. Mais importante, não há nesse cenário um momento no qual a relação se estabilize, ao contrário, ela é sempre crescente. Agora olhe para a França: o que está acontecendo lá tem relação com o problema da dívida. Eles têm uma dívida de 120% e ela custa 5% ao ano. A nossa é menor, mas custa coisa de 14% ou 15%. O risco de cada país é diferente e países emergentes, como nós, têm risco maior e, portanto, taxas de juros maiores.

    A evolução da dívida que coloquei acima depende da taxa de crescimento do PIB, dos juros da dívida e do déficit primário. Note que para reverter a trajetória de crescimento é necessário que essas variáveis sejam mudadas. Seria maravilhoso se nossa taxa de crescimento subisse fortemente ou se a taxa de juro real de nossa dívida caísse (na verdade, hoje ela é muito maior que esses 6% que coloquei). Mas quem define essas duas variáveis, crescimento e juros, não é o governo, é o mercado. Elas só podem ser afetadas modestamente pelo governo, e de forma transitória. A única variável que o governo pode influenciar para ajustar essa dinâmica de evolução da dívida é o déficit primário. Por isso, esse tema é tão recalcitrante na agenda dos economistas.

    Mais um detalhe: a trajetória da dívida, assim como seu nível, ajudam o mercado a definir a taxa de juros que vai cobrar. Quanto maior o risco, maior a taxa e vice-versa. A forma de determinar a taxa a ser cobrada reflete o risco de inadimplência. Países de renda baixa, risco alto. Países de renda alta, risco baixo. E coloque na equação do risco a taxa de crescimento do PIB, o déficit primário, o histórico de default, etc. Os economistas do FMI e do Banco Mundial criaram uma forma de avaliar a dinâmica do endividamento para países EMERGENTES: até 70% do PIB, os países estão em equilíbrio, acima de 70% estão em fragilidade fiscal e acima de 90%, entram em crise fiscal. A crise fiscal é uma situação na qual o policy maker (governo) tem um quadro tão drástico de comprometimento das receitas com o pagamento da dívida que “escolhe” o calote. Esse calote pode ser feito com um desconto no valor da dívida ou com a sua monetização, o que leva a um surto inflacionário que, por sua vez, desvaloriza a dívida em termos reais.  Em ambos os casos, o credor perde parte significativa de seu ativo e o governo volta a ter uma relação dívida/PIB mais favorável (20, 30, 40 ou 50%). Essa classificação é importante porque nos permite entender a corrida que o mercado faz contra os ativos de um país emergente: a trajetória da dívida pode apontar para um nível elevado que incentivará o policy maker a tomar a decisão crucial de promover um default. Quando um país está em fragilidade fiscal, como estamos, a dinâmica da dívida pode sinalizar em que momento do futuro o governo poderá optar pelo default. Com esse cenário, o mercado passa a exigir mais prêmio no financiamento do país e eleva os juros da dívida (hoje um título da dívida está sendo negociado a IPCA +7,20%). Países em fragilidade fiscal vivem em situação de risco elevado, afinal o mercado não espera o desastre acontecer, ele se antecipa. Qualquer erro de cálculo já coloca o mercado emparedando o tesouro e exigindo mais juros, o que, por sua vez, piora a dinâmica do endividamento.

    Então façamos um esquema simples:

    Informações —> expectativas —> preços —> informações —> expectativas —> preços.

    É basicamente isso. A informação crucial que o mercado recebeu hoje, 26/10/2026, é que não há no futuro próximo um superávit primário que estabilize a dívida. Se a dívida é crescente, a taxa de juro deve subir (a taxa de juro para 2026 subiu de 12,70 para 15,15%). Se a taxa de juro sobe, a trajetória da dívida piora. Se os juros sobem, as empresas precisam valer menos, porque os juros ajudam a definir o seu valor. Se o valor das empresas cai, o Ibovespa cai. Se a percepção de risco em relação ao Brasil sobe, o dólar sobe, já que investidores e empresas endividados  buscam proteção (o Brasil tem um passivo externo líquido de US$ 1 trilhão).

    Então vamos lá: projetos diferentes implicam em preços diferentes e isso não é chantagem. É equilíbrio geral o nome desse negócio.

    Se Lula 4 continuar como Lula 3, o déficit primário continuará a pressionar a dinâmica da dívida. Por nossa situação de fragilidade fiscal, é possível ver a dívida chegar ao nível de crise fiscal muito rapidamente. Por conta dessa percepção, ou expectativa, a taxa de juro cobrada na dívida precisa subir porque a chance de default aumentou. Subindo a taxa de juros, caem as ações e sobe o dólar. Esse processo deve continuar e pode assumir uma dinâmica mais acelerada. Portanto, os ativos brasileiros estão se alinhando a um patamar de risco de default maior. Não há ameaça. É algo que já está acontecendo.

    Sou obrigado a concordar com o Gustavo Franco, mas ele tem razão quando diz que o problema do déficit não é de esquerda ou de direita. É um problema de álgebra. De álgebra muito simples.

    O essencial é que a dinâmica de mercado pode piorar mais, pois estamos indo para o que chamamos de equilíbrio instável, associado a um evento de profecias autorrealizáveis, com um governo que despreza esse assunto.

    Uma gota de esperança: isso seria muito simples de resolver agora.

    Um perigo: o governo é alérgico a essa discussão.

  • Juros longos acima de 5%: o novo normal da economia mundial?

    Juros longos acima de 5%: o novo normal da economia mundial?

    Os juros dos títulos de dez anos dos Estados Unidos chegaram à região de 5,25%, maior nível em aproximadamente 19 anos. Os títulos de 30 anos também atingiram patamares não observados desde 2004.

    Mais do que uma oscilação do mercado financeiro, esse movimento pode indicar uma mudança no equilíbrio macroeconômico global. Depois de quase 15 anos convivendo com juros excepcionalmente baixos, investidores, empresas e governos precisam considerar a possibilidade de que o custo do dinheiro permaneça estruturalmente mais elevado.

    Por que os juros longos são tão importantes?

    As taxas dos títulos de dez e 30 anos dos Estados Unidos funcionam como referência para grande parte do sistema financeiro mundial. Elas influenciam o custo das hipotecas, dos financiamentos empresariais, das emissões de dívida e a avaliação dos ativos negociados nas bolsas.

    Quando os juros longos sobem, três canais merecem atenção.

    Imóveis, crédito e efeito riqueza

    O primeiro impacto aparece no mercado imobiliário. Juros mais altos encarecem as hipotecas e reduzem a capacidade de compra das famílias.

    Com financiamentos mais caros, a demanda por imóveis tende a perder força. Isso pode limitar a valorização das propriedades ou até provocar quedas de preços em alguns mercados.

    A perda de valor do patrimônio também afeta o consumo. Quando as famílias percebem que suas casas e seus investimentos valem menos, tendem a poupar mais e consumir menos. Esse mecanismo é conhecido como efeito riqueza.

    Portanto, os juros longos afetam a atividade econômica não apenas por meio do crédito, mas também pela percepção de patrimônio e segurança financeira das famílias.

    Menos investimentos produtivos

    Para as empresas, a alta dos juros aumenta o custo do financiamento e a taxa mínima de retorno exigida para novos projetos.

    Uma fábrica, aquisição ou expansão que parecia rentável quando o custo do dinheiro estava próximo de 2% pode deixar de ser economicamente viável com taxas superiores a 5%.

    O resultado tende a ser uma seleção mais rigorosa dos investimentos, com adiamento ou cancelamento dos projetos menos rentáveis. Ao longo do tempo, isso pode reduzir a formação de capital, a geração de empregos e o crescimento da produtividade.

    O impacto sobre a Bolsa

    No mercado acionário, os juros longos funcionam como uma taxa de desconto dos lucros que as empresas poderão gerar no futuro.

    Quanto maior essa taxa, menor tende a ser o valor presente desses lucros. Esse efeito é particularmente relevante para empresas de crescimento, tecnologia e inteligência artificial, cujas avaliações dependem de resultados projetados para períodos mais distantes.

    Os juros elevados também tornam os títulos públicos mais competitivos. Se o investidor pode obter retorno superior a 5% em um ativo considerado de baixo risco, passa a exigir uma remuneração maior para permanecer em ações.

    Isso não significa que todas as bolsas necessariamente cairão. Empresas com lucros fortes e crescimento consistente podem continuar valorizando. Entretanto, o nível elevado das taxas aumenta a exigência do mercado e reduz o espaço para avaliações excessivamente otimistas.

    O mundo de juros baixos ficou para trás?

    Entre 2008 e 2022, os bancos centrais mantiveram juros muito baixos e compraram grandes quantidades de títulos. Essas políticas buscavam combater os efeitos deflacionários da crise financeira global e, posteriormente, da pandemia.

    Durante esse período, investidores passaram a enxergar juros de dez e 30 anos entre 1,5% e 3,5% como um padrão normal.

    O cenário atual é substancialmente diferente. A economia americana permanece próxima do pleno emprego, a inflação continua acima da meta, os déficits fiscais são elevados e os governos precisam emitir volumes crescentes de dívida.

    Além disso, os investidores passaram a exigir uma remuneração maior para manter títulos de longo prazo diante dos riscos fiscais, inflacionários e da incerteza sobre a trajetória futura dos juros.

    Como entender a taxa de dez anos?

    De forma simplificada, o rendimento nominal de um título de dez anos pode ser dividido em três componentes:

    inflação esperada;

    juro real;

    prêmio pelo risco de prazo e fiscal.

    Atualmente, os três componentes estão pressionados. A inflação esperada permanece elevada, os juros reais aumentaram e o prêmio de prazo voltou a ganhar importância diante da expansão da dívida pública.

    Os juros de 5% vieram para ficar?

    Não é possível afirmar que os Treasuries permanecerão acima de 5% indefinidamente. Uma desaceleração econômica mais forte, uma queda consistente da inflação ou uma crise financeira poderiam reduzir novamente essas taxas.

    Entretanto, também não parece razoável assumir que o mundo retornará automaticamente ao ambiente de juros ultrabaixos observado após 2008.

    O equilíbrio macroeconômico mudou. Inflação, déficits públicos, necessidade de financiamento e competição global por capital apontam para um custo do dinheiro estruturalmente superior ao registrado na década passada.

    Talvez os juros de 5% não sejam permanentes. Mas a ideia de que taxas próximas de zero representam a normalidade precisa, no mínimo, ser revista.

    E você: acredita que os juros de 5% representam um novo normal ou apenas um exagero temporário do mercado?

    Acompanhe @pepasilveira e @terrainvestimentos para mais análises sobre economia, juros e investimentos.

  • O que os grandes investidores estão vendo?

    O que os grandes investidores estão vendo?

    A eleição virou o jogo da crise fiscal?
    Os investidores parecem estar antecipando uma mudança na trajetória fiscal brasileira. A lógica é direta: se um novo governo conseguir reduzir o déficit primário e estabilizar a dívida em relação ao PIB, a percepção de risco fiscal tende a cair. Com menor risco, o mercado pode exigir um prêmio menor para financiar o governo, reduzindo as taxas reais de juros de longo prazo. Essa queda, por sua vez, tende a elevar o valor presente de ações e de outros ativos de capital.
    As taxas de juros reais no Brasil estavam em patamar bastante elevado, ao redor de 8,5%, a depender do instrumento utilizado para medi-las. Esse nível refletia, em grande parte, a preocupação dos investidores com o tamanho da dívida pública e com sua dinâmica, que vinha apontando crescimento por vários trimestres.
    Uma das formas de estabilizar a dívida como proporção do PIB é produzir superávits primários, isto é, manter as receitas acima das despesas, desconsiderando-se os gastos com juros da dívida. A trajetória da relação entre dívida e PIB é um dos fatores que orientam a avaliação do risco fiscal do país. Quanto maior o risco percebido, maior tende a ser o prêmio exigido pelos investidores para financiar o governo.
    O Brasil vinha apresentando uma trajetória crescente da dívida em relação ao PIB, o que contribuiu para a alta dos juros. A taxa real de juros dos títulos públicos indexados à inflação, como as NTN-B, subiu de 5% para 8,1% ao ano. O impacto de uma elevação dos juros reais de longo prazo pode ser muito significativo, pois reduz o valor presente de ativos de capital, como ações, equipamentos e imóveis.
    Em um modelo simplificado, o valor de uma empresa pode ser estimado pelos dividendos futuros, descontados pela diferença entre a taxa de juros e a taxa de crescimento desses dividendos:
    V = D ÷ (r − g)
    Nessa expressão, V é o valor da empresa, D representa os dividendos, r é a taxa de desconto e g é a taxa de crescimento dos dividendos. Trata-se de uma simplificação, baseada na hipótese de crescimento constante e de uma taxa de desconto superior à taxa de crescimento.
    Aplicação prática:
    Valor da empresa = 100 ÷ (8,5% − 3%) = 1.818,18
    Se a taxa de desconto subir de 8,5% para 9,5%, mantendo-se a taxa de crescimento em 3%, o cálculo passa a ser:
    Valor da empresa = 100 ÷ (9,5% − 3%) = 1.538,46
    Nesse caso, um aumento de um ponto percentual na taxa de desconto produz uma queda de aproximadamente 15% no valor estimado da empresa. Essa redução pode desestimular novos investimentos e contribuir para uma desaceleração da atividade econômica.
    Em resumo, mudanças nas taxas reais de juros de longo prazo afetam as decisões de investimento e, por esse canal, a capacidade de crescimento da economia. No caso brasileiro, o déficit público e a trajetória da dívida contribuíram para a alta dos juros longos nos últimos anos. Essa elevação depreciou os ativos de capital e pode ter limitado a expansão dos investimentos e do produto.
    Assim, a tentativa de estimular a economia por meio de déficits persistentes pode produzir um efeito contrário ao desejado: ao elevar o risco fiscal e as taxas de juros, reduz o valor dos ativos e desestimula o investimento. O que deveria funcionar como acelerador do crescimento pode, portanto, transformar-se em um freio.
    Com a vitória do candidato da oposição, Flávio Bolsonaro, no primeiro turno e a eleição de grandes bancadas na Câmara e no Senado, parte do mercado passou a considerar a possibilidade de um ajuste fiscal mais rápido. Na hipótese de medidas críveis capazes de mudar a trajetória do endividamento público, a percepção de risco tenderia a diminuir, favorecendo a queda das taxas praticadas pelo mercado. Nesse cenário, poderíamos observar o movimento inverso ao do exemplo anterior.
    Valor da empresa = 100 ÷ (8,5% − 3%) = 1.818,18
    Valor da empresa = 100 ÷ (6,5% − 3%) = 2.857,14
    Nesse exemplo, a redução da taxa de desconto de 8,5% para 6,5% elevaria o valor estimado da empresa em cerca de 57%. É por causa desse efeito que a perspectiva de queda dos juros reais entra nos modelos de precificação de gestores locais e internacionais e pode impulsionar compras de ações. Esses investidores procuram antecipar a eventual queda dos juros, apostando na realização de um ajuste fiscal caso Flávio vença, de fato, as eleições.
    Diante da expectativa de redução do déficit fiscal e dos juros reais, o mercado passou a reavaliar os ativos brasileiros, com efeitos sobre a bolsa, o real e os títulos públicos. Ainda é cedo, porém, para saber até onde esse movimento pode ir. A eleição, por si só, não resolve a questão fiscal: será necessário transformar expectativas em medidas aprovadas e efetivamente executadas.
    O mercado opera com antecipação, mas a confirmação dessas expectativas dependerá dos resultados fiscais e econômicos dos próximos anos. A única forma de saber se elas estavam corretas será confrontá-las, no futuro, com os resultados efetivamente alcançados.

  • IPCA-15: Prévia da inflação avança 0,06% em julho, abaixo das expectativas; em 12 meses, fica em 4,52%

    IPCA-15: Prévia da inflação avança 0,06% em julho, abaixo das expectativas; em 12 meses, fica em 4,52%

    A prévia da inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), avançou 0,06% em julho, segundo dado divulgado pelo IBGE nesta terça-feira (28), e fechou o período de 12 meses com alta acumulada de 4,52%.

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    O número desacelerou na comparação mensal e anual, após alta de 0,41% em junho e de 4,80% no acumulado em 12 meses no mês anterior. O número indica inflação acima do teto da meta do Banco Central — a meta é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos.

    A estimativa do mercado indicava alta de 0,21% para o IPCA-15 neste mês, de acordo com a mediana da pesquisa Projeções Broadcast. Para 12 meses, a projeção era de 4,67%.

    Os grupos do IPCA-15

    Entre os destaques do período do IPCA-15, estão os grupos de Habitação com alta de 0,97%, sendo um impacto de 0,15 p.p no índice. O principal fator que pesou para o resultado mais forte foi a energia elétrica que avançou 3,03% no mês.

    Logo em seguida, aparece o grupo de Saúde e cuidados pessoais, com aumento de 0,28% no mês de julho (impacto de 0,04 p.p), com influência predominante pelos produtos de higiene pessoal (0,51%).

    Outro destaque entre os grupos que contribuíram para a alta do índice foi o grupo de Transportes, que saiu de um impacto negativo em junho para alta de 0,11%. Passagens aéreas foi o principal subitem responsável pela contribuição positiva com alta de 11,70%, enquanto combustíveis tiveram uma queda de 0,90%.

    Já na outra ponta, os grupos que ajudaram a desacelerar a inflação foram Alimentação e bebidas (-0,66%) e Vestuário (-0,33%).

  • Núcleo da inflação dos EUA sobe 0,1% em junho

    Núcleo da inflação dos EUA sobe 0,1% em junho

    O núcleo do índice de Preços para Gastos com Consumo Pessoal (PCE), principal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve (Fed), avançou 0,1% em junho na comparação com maio, segundo dados …

    Já o PCE cheio, que inclui os preços de alimentos e energia, recuou 0,1% no mês, mas registra avanço de 3,7% na comparação anual. Além da inflação, o relatório mostrou que a renda pessoal dos american…

  • Fed mantém os juros em 3,75%

    Fed mantém os juros em 3,75%

    O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve a taxa de juros do país inalterada na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano — menor nível desde setembro de 2022. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (29), veio em linha com a expectativa do mercado financeiro.

    Foi a quinta reunião consecutiva em que o banco central dos EUA manteve os juros no mesmo nível. A decisão foi influenciada, entre outros fatores, pela persistência da alta do petróleo, em meio à continuidade da guerra no Oriente Médio, o que reforça as preocupações do Fed com a inflação.

    Em um comunicado mais curto do que o de costume, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) afirmou, em sua decisão, que a atividade econômica segue se expandindo em ritmo sólido “apesar da elevada incerteza, decorrente, em parte, do conflito no Oriente Médio”.

    O presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que o comunicado não busca antecipar os próximos passos sobre as decisões de juros.