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  • Poder e Progresso – Daron Acemoglu e Simon Johnson

    Poder e Progresso – Daron Acemoglu e Simon Johnson

    Em Poder e Progresso (Power and Progress), Daron Acemoglu e Simon Johnson desafiam uma das crenças mais difundidas da economia moderna: a de que o progresso tecnológico gera, por si só, prosperidade para toda a sociedade. Para os autores, a história mostra exatamente o contrário. A tecnologia é uma ferramenta, e seus efeitos sobre crescimento, emprego e distribuição de renda dependem das instituições, das relações de poder e das escolhas políticas que orientam seu desenvolvimento.

    O livro percorre diferentes momentos históricos, da Revolução Industrial à atual revolução da inteligência artificial, para demonstrar que grandes inovações frequentemente produziram, em um primeiro momento, concentração de riqueza e perda de poder para os trabalhadores. Na Inglaterra do século XIX, por exemplo, a mecanização elevou fortemente a produção, mas os salários permaneceram estagnados durante décadas e as condições de trabalho se deterioraram. Somente com o fortalecimento de sindicatos, a expansão da democracia, a educação pública e a criação de leis trabalhistas os ganhos de produtividade passaram a ser compartilhados de forma mais ampla.

    Essa perspectiva leva os autores a uma distinção fundamental entre dois tipos de inovação. A primeira é aquela que complementa o trabalho humano, tornando os trabalhadores mais produtivos e elevando seus salários. A segunda busca simplesmente substituir pessoas por máquinas, algoritmos ou sistemas automatizados. Embora ambas possam aumentar a eficiência das empresas, apenas a primeira tende a gerar crescimento inclusivo e sustentável. Segundo Acemoglu e Johnson, nas últimas décadas predominou um modelo de inovação voltado à substituição do trabalho, impulsionado pelos incentivos econômicos das grandes empresas de tecnologia.

    Nesse contexto, a inteligência artificial ocupa um papel central. Os autores não defendem limitar seu desenvolvimento, mas argumentam que seu uso deve ser orientado para ampliar as capacidades humanas, e não apenas reduzir custos com mão de obra. Sistemas capazes de auxiliar médicos, professores, engenheiros ou pesquisadores representam um caminho mais promissor do que aplicações voltadas exclusivamente à eliminação de postos de trabalho. Para eles, a direção da inovação é uma escolha econômica e política, e não uma consequência inevitável do avanço científico.

    Outro argumento importante do livro é que o poder econômico influencia profundamente o rumo do progresso tecnológico. Grandes empresas, ao concentrarem recursos, dados e influência política, conseguem moldar os incentivos à inovação e capturar parcela crescente dos seus benefícios. Dessa forma, a desigualdade observada em muitas economias avançadas não decorre apenas do progresso tecnológico, mas também da forma como mercados e instituições distribuem seus frutos.

    A principal conclusão de Poder e Progresso é que não existe determinismo tecnológico. O crescimento econômico e o aumento do bem-estar dependem menos da velocidade das inovações do que da existência de instituições capazes de promover concorrência, ampliar oportunidades, fortalecer o capital humano e garantir que os ganhos de produtividade sejam compartilhados por toda a sociedade. Em um momento em que a inteligência artificial promete transformar profundamente o mercado de trabalho, Acemoglu e Johnson oferecem uma mensagem clara: o futuro não será definido pela tecnologia em si, mas pelas decisões coletivas sobre como desenvolvê-la, regulá-la e distribuir seus benefícios.

  • Joseph Stiglitz – The Road to Freedom

    Joseph Stiglitz – The Road to Freedom

    Joseph Stiglitz, em The Road to Freedom, constrói uma resposta direta ao pensamento neoliberal clássico e, em particular, à tradição representada por Friedrich Hayek em O Caminho da Servidão. Enquanto Hayek argumenta que a intervenção estatal ameaça a liberdade individual, Stiglitz propõe uma visão alternativa: mercados desregulados podem, eles próprios, restringir a liberdade, ao gerar desigualdade, concentração de poder e falhas sistêmicas.

    A tese central de Stiglitz é que a liberdade não pode ser reduzida à ausência de intervenção estatal. Pelo contrário, liberdade efetiva depende de condições materiais, acesso a oportunidades e estruturas institucionais que garantam competição justa. Nesse sentido, ele se aproxima da noção de “liberdade substantiva”, mas sem defender o autoritarismo estatal. Seu argumento é que o Estado, quando bem desenhado, amplia — e não reduz — a liberdade.

    O ponto de partida é a crítica ao neoliberalismo. Segundo Stiglitz, a crença de que mercados são eficientes e autorregulados ignora evidências empíricas fundamentais. Assimetrias de informação, externalidades e poder de mercado distorcem resultados e limitam escolhas individuais. Em vez de promover liberdade, mercados desregulados podem gerar situações em que poucos agentes dominam recursos, informação e influência política.

    Aqui está o primeiro contraponto direto a Hayek. Para Hayek, o problema central é o conhecimento: nenhum planejador central possui informação suficiente para organizar a economia. Stiglitz concorda com a importância da informação, mas mostra que os próprios mercados sofrem com falhas informacionais profundas. Assim, o problema não é apenas o Estado não saber — é que o mercado também não resolve isso sozinho.

    O segundo contraponto é o papel do poder econômico. Stiglitz enfatiza que concentração de renda e riqueza leva à concentração de poder político. Isso distorce regras do jogo, reduz concorrência e limita a liberdade de outros agentes. Nesse cenário, a ausência de intervenção estatal não gera liberdade, mas sim dominação privada.

    Nesse contexto, Stiglitz redefine liberdade como capacidade efetiva de escolha. Isso inclui acesso a educação, saúde, crédito e informação. Sem esses elementos, a liberdade formal — direito de escolher — torna-se vazia para grande parte da população. O Estado, portanto, tem papel fundamental em criar as condições para que indivíduos possam exercer suas escolhas de forma real.

    Diferentemente de propostas centralizadoras do passado, Stiglitz não defende planejamento estatal amplo. Sua proposta é uma economia mista, na qual o Estado corrige falhas de mercado, regula setores estratégicos e promove igualdade de oportunidades. Políticas públicas, nesse sentido, não são inimigas da liberdade, mas instrumentos para ampliá-la.

    Outro ponto importante é a crítica à ideia de que desigualdade é um subproduto necessário da eficiência. Stiglitz argumenta que altos níveis de desigualdade reduzem crescimento, enfraquecem a coesão social e limitam a mobilidade econômica. Assim, combater desigualdade não é apenas uma questão de justiça, mas de eficiência e liberdade.

    Ao longo do livro, Stiglitz também enfatiza o papel das instituições democráticas. Ao contrário de modelos autoritários, ele defende que políticas públicas devem emergir de processos democráticos transparentes e responsáveis. Isso evita o risco apontado por Hayek de concentração excessiva de poder no Estado.

    Em síntese, The Road to Freedom apresenta uma visão alternativa ao neoliberalismo: liberdade não é apenas ausência de coerção estatal, mas presença de condições que permitam escolhas reais. Mercados são instrumentos importantes, mas não suficientes. O Estado, quando bem estruturado, é parte essencial de uma sociedade livre.

    Como contraponto ao Caminho da Servidão, Stiglitz inverte a pergunta: o risco à liberdade não vem apenas do Estado, mas também de mercados desregulados e concentrados. A verdadeira questão não é “Estado versus mercado”, mas como equilibrar ambos para maximizar liberdade, eficiência e justiça.

    Conclusão Stiglitz propõe um novo enquadramento do debate sobre liberdade. Em vez de opor Estado e mercado, ele sugere uma complementaridade institucional. Liberdade, nesse contexto, é um resultado coletivo, construído por meio de instituições que garantem tanto direitos quanto oportunidades. Ao fazer isso, ele oferece uma crítica consistente ao neoliberalismo e uma alternativa baseada em evidência empírica e teoria econômica moderna.

  • B3 prevê reabertura do mercado a partir de 12h30 após problemas em Câmara

    B3 prevê reabertura do mercado a partir de 12h30 após problemas em Câmara

    A B3 informou nesta sexta-feira (31) que segue trabalhando na disponibilização de arquivos para os participantes do mercado, na abertura da Câmara B3 e na normalização das negociações, após os atrasos operacionais que impediram a abertura regular do pregão pela manhã.

    Segundo atualização divulgada pela bolsa, os contratos futuros de dólar, incluindo DOL, DR1, FRP0 e FRP1, tiveram a negociação liberada às 9h35. Já os contratos de mini-índice (WIN) e mini-dólar (WDO), que tiveram sua abertura adiada mais cedo, têm previsão de iniciar as negociações às 12h30, com leilão de pré-abertura marcado para 12h28.

    A B3 também informou que todos os demais ativos e contratos negociados na bolsa deverão começar a ser liberados a partir das 12h30, quando ocorrerá o encerramento gradual dos leilões que mantiveram os mercados paralisados durante a manhã.