SELIC 15,00% ▲ 0,00pp IBOVESPA 132.480 ▼ 0,4% IPCA (12m) 4,2% ▲ 0,1pp USD/BRL 5,42 ▼ 0,2% CDI 14,90% — estável IFIX 3.310 ▲ 0,3% SELIC 15,00% ▲ 0,00pp IBOVESPA 132.480 ▼ 0,4% IPCA (12m) 4,2% ▲ 0,1pp USD/BRL 5,42 ▼ 0,2% CDI 14,90% — estável IFIX 3.310 ▲ 0,3%

Categoria: Uncategorized

  • Investimentos no exterior

    Investimentos no exterior

    Como já falamos na postagem sobre a Carteira de Investimentos, a diversificação é fundamental para garantir uma relação entre risco e retorno bem equilibrada, que não seja concentrada em riscos específicos (idiossincráticos). Em todas as classes de ativos que falamos até agora, os riscos eram diversificados entre Renda Fixa e Renda Variável, mas não havia diversificação em relação a um risco muito relevante, o RISCO PAÍS. 

    O que é o risco país? É definido como a probabilidade de um país não conseguir honrar suas dívidas em dólar, a moeda chave global. E um país pode deixar de honrar suas dívidas em dólar quando tem uma crise de balanço de pagamentos. Hoje temos reservas internacionais de US$ 370 bilhões e a possibilidade de um calote externo é bem mais baixo do que já foi. O Brasil deu um calote da dívida externa em 1987 e viveu na corda bamba por muito tempo, dependendo de empréstimos do FMI e do Tesouro dos EUA para honrar suas obrigações. Hoje a situação é bem mais tranquila, com uma dívida pública externa baixa, de US$ 67 bilhões, modesta para os padrões históricos. Mas temos um volume imenso de investimentos de estrangeiros no Brasil e uma dívida privada também elevada. A Posição Internacional de Investimentos dos Brasil é de US$ 1,125 trilhão, segundo o BCB. Isso significa que o total de recursos que os estrangeiros têm no Brasil supera o total de recursos que os brasileiros têm no exterior. Se os estrangeiros “retirarem” todos os investimentos do Brasil e os brasileiros “retirarem” todos os investimentos do exterior, teremos um déficit de US$ 1,125 trilhão, o que é bem mais que nossas reservas internacionais. Essa conta não deve ser levada a ferro e fogo, já que boa parte dos investimentos são feitos em ativos de pouca liquidez e não podem ser mobilizados rapidamente e sem forte desvalorização. Imagine uma grande multinacional tentando desfazer-se de fábricas, edifícios e equipamentos em meio a uma crise. Assim, apesar do enorme volume do passivo externo líquido, ele deve ser pensado não tanto pelo fluxo que ele pode gerar de saída, mas pelo potencial que ele tem de gerar de saídas anuais de suas rendas (juros, royalties, aluguéis, dividendos, etc) e pelo potencial de hedge que os investidores precisam fazer para manter o valor em dólar de seus investimentos. Então, de maneira objetiva, esse enorme passivo externo torna a nossa moeda mais vulnerável a movimentos de compra de proteção pelos estrangeiros e pelo fluxo de pagamentos anuais dos serviços desses investimentos. Em 2025, o Brasil remeteu ao exterior US$ 81 bilhões de lucros, dividendos, juros e outras despesas de capital. Resumindo: temos uma moeda que pode sofrer mais volatilidade à medida de estrangeiros busquem mais proteção ou que precisemos pagar mais serviços do capital. Portanto, o risco que o Brasil oferece ao investidor estrangeiros está associado à volatilidade do real, e pode ser medido pela diferença (prêmio) entre o retorno de um título brasileiro negociado no exterior e um título de mesmo vencimento do tesouro dos EUA. O gráfico abaixo mostra o comportamento diário do risco brasil, medido através da diferença entre títulos brasileiros de 5 anos e os títulos dos EUA do mesmo período. 

    A cotação de 111,28 refere-se a uma diferença de 1,11128% entre os títulos de 5 anos do Brasil e os de mesmo vencimento dos títulos dos EUA. Essa diferença sobe fortemente quando há muita incerteza em relação ao país, como vimos em 2025, quando o CDS bateu 500 pontos, ou 5% de prêmio sobre os rendimentos dos títulos dos EUA. 

    Como os títulos da dívida brasileira são considerados os títulos livres de risco em moeda local (real), cada vez que os juros da dívida brasileira sobem, os juros de todas as dívidas sobem. De maneira objetiva: todas vez que a dívida brasileira se desvaloriza, todos os ativos brasileiros se desvalorizam, desde ações e debêntures, até fundos imobiliários e LCIs/LCAs. Quando o risco do tesouro brasileiro sobe, os riscos dos títulos privados também sobem.

    Para o investidor mitigar os problemas de concentração em ativos brasileiros, ele precisa diversificar sua carteira em termos dos riscos soberanos. Se o Brasil  tiver um problema, ativos de outros países podem compensar a queda dos ativos brasileiros. Essa é a razão para diversificar a sua carteira, levando em conta a possibilidade de alocar em ativos internacionais.

    Como fazer isso?

    Os grandes investidores conseguem fazer essa diversificação mandando uma parte de sua carteira para exterior, onde serão administrados a partir de contas em grandes bancos ou corretoras dos EUA. Mas essa transferência de recursos tem custos, seja no ato da transferência (impostos e spreads na conversão do câmbio) seja no ato da negociação (as corretagens no exterior são elevadas). Quando o volume é muito alto esses custos são diluídos e não representam um problema. Porém, quando o volume é menor, esses custos pesam de forma substancial. Mas há uma solução segura, barata e eficiente: o investidor pode alocar em ETFs e BDRs negociados aqui na B3. Do ponto de vista da diversificação dos riscos ele fica totalmente atendido. A questão, apenas, é entender que o mesmo processo de alocação nas classes de risco vale aqui: uma parte em Renda Fixa e outra em Renda Variável, sempre em função do perfil de riscos do investidor. Além disso, essa parte da carteira fica sujeita às oscilações do câmbio, já que os ativos são cotados em dólar e a variação cambial passa a ser acrescida na volatilidade da carteira do investidor.

    Vale a pena fazer essa diversificação? Isso vai depender da capacidade que cada investidor tem de assumir os riscos e a volatilidade agregados em sua carteira. No geral, a resposta é afirmativa: diversificar é sempre importante para investidores de longo prazo.

  • IPCA-15: Prévia da inflação avança 0,06% em julho, abaixo das expectativas; em 12 meses, fica em 4,52%

    IPCA-15: Prévia da inflação avança 0,06% em julho, abaixo das expectativas; em 12 meses, fica em 4,52%

    A prévia da inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), avançou 0,06% em julho, segundo dado divulgado pelo IBGE nesta terça-feira (28), e fechou o período de 12 meses com alta acumulada de 4,52%.

    CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

    O número desacelerou na comparação mensal e anual, após alta de 0,41% em junho e de 4,80% no acumulado em 12 meses no mês anterior. O número indica inflação acima do teto da meta do Banco Central — a meta é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos.

    A estimativa do mercado indicava alta de 0,21% para o IPCA-15 neste mês, de acordo com a mediana da pesquisa Projeções Broadcast. Para 12 meses, a projeção era de 4,67%.

    Os grupos do IPCA-15

    Entre os destaques do período do IPCA-15, estão os grupos de Habitação com alta de 0,97%, sendo um impacto de 0,15 p.p no índice. O principal fator que pesou para o resultado mais forte foi a energia elétrica que avançou 3,03% no mês.

    Logo em seguida, aparece o grupo de Saúde e cuidados pessoais, com aumento de 0,28% no mês de julho (impacto de 0,04 p.p), com influência predominante pelos produtos de higiene pessoal (0,51%).

    Outro destaque entre os grupos que contribuíram para a alta do índice foi o grupo de Transportes, que saiu de um impacto negativo em junho para alta de 0,11%. Passagens aéreas foi o principal subitem responsável pela contribuição positiva com alta de 11,70%, enquanto combustíveis tiveram uma queda de 0,90%.

    Já na outra ponta, os grupos que ajudaram a desacelerar a inflação foram Alimentação e bebidas (-0,66%) e Vestuário (-0,33%).

  • Núcleo da inflação dos EUA sobe 0,1% em junho

    Núcleo da inflação dos EUA sobe 0,1% em junho

    O núcleo do índice de Preços para Gastos com Consumo Pessoal (PCE), principal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve (Fed), avançou 0,1% em junho na comparação com maio, segundo dados …

    Já o PCE cheio, que inclui os preços de alimentos e energia, recuou 0,1% no mês, mas registra avanço de 3,7% na comparação anual. Além da inflação, o relatório mostrou que a renda pessoal dos american…

  • Fed mantém os juros em 3,75%

    Fed mantém os juros em 3,75%

    O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve a taxa de juros do país inalterada na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano — menor nível desde setembro de 2022. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (29), veio em linha com a expectativa do mercado financeiro.

    Foi a quinta reunião consecutiva em que o banco central dos EUA manteve os juros no mesmo nível. A decisão foi influenciada, entre outros fatores, pela persistência da alta do petróleo, em meio à continuidade da guerra no Oriente Médio, o que reforça as preocupações do Fed com a inflação.

    Em um comunicado mais curto do que o de costume, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) afirmou, em sua decisão, que a atividade econômica segue se expandindo em ritmo sólido “apesar da elevada incerteza, decorrente, em parte, do conflito no Oriente Médio”.

    O presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que o comunicado não busca antecipar os próximos passos sobre as decisões de juros.

  • A correção da aposentadoria

    A correção da aposentadoria

    O Governo Federal divulgou as projeções para o reajuste das aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para o ano de 2026. Os dados do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) indicam um reajuste de 4,66% para os benefícios pagos acima do salário mínimo.

    O valor máximo de pagamento de benefícios da Previdência, chamado de “teto do INSS”, deve subir dos atuais R$ 8.157,41 para R$ 8.537,55 a partir de janeiro de 2026.

    Detalhes do reajuste: INPC e Ganho Real

    O percentual de 4,66% de correção para os benefícios que superam o piso nacional corresponde à inflação estimada pelo governo federal para 2025, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Este índice é a referência legal para o reajuste dessas aposentadorias e pensões, garantindo a manutenção do poder de compra dos segurados.

    O PLOA, documento que contém as projeções e foi encaminhado ao Congresso Nacional, é a base para as estimativas. O índice final de correção para 2026 será oficializado somente em janeiro, após a divulgação do INPC acumulado de janeiro a dezembro de 2025 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    Salário Mínimo e impacto na Previdência

    A projeção do governo também aponta para um aumento no salário mínimo nacional. O valor, atualmente em R$ 1.518, pode subir para R$ 1.631 em 2026.

    Este valor representa um aumento de 7,45% e considera a estimativa de inflação de 4,78% para 2025 mais o ganho real (crescimento do Produto Interno Bruto – PIB). O reajuste do salário mínimo é oficializado por decreto presidencial e é crucial, pois define o piso previdenciário.

    Os benefícios de um salário mínimo (aposentadoria, auxílio-doença, pensão por morte e Benefício de Prestação Continuada – BPC) são corrigidos pelo valor integral do novo salário mínimo.

    Público afetado e cronograma de pagamento

    As projeções de reajuste afetam uma vasta parcela da população brasileira:

    • 2,1 milhões de beneficiários recebem acima do salário mínimo.
    • 28,3 milhões de aposentados e pensionistas recebem até um salário mínimo, segundo dados do INSS.

    Embora o calendário de pagamentos do INSS para 2026 ainda não tenha sido divulgado, o cronograma segue um padrão tradicional:

    • Os segurados que recebem até um salário mínimo geralmente passam a receber o valor reajustado nos últimos dias úteis de janeiro.
    • Os pagamentos para quem ganha acima do piso nacional costumam começar no primeiro dia útil de fevereiro.
  • Regras da aposentadoria em 2026

    Regras da aposentadoria em 2026

    Quem está perto de se aposentar precisa ficar atento às mudanças nas regras em 2026. A Reforma da Previdência, aprovada em 2019 pela Emenda Constitucional (EC) 103/2019, prevê alterações anuais nas chamadas regras de transição. Essas regras valem para quem já contribuía para o INSS antes de novembro de 2019.

    Uma das regras é a da idade mínima progressiva. Nela, o tempo de contribuição não muda, mas a idade mínima aumenta seis meses a cada ano. Em 2026, será necessário ter 59 anos e seis meses de idade para mulheres e 64 anos e seis meses para homens. O tempo mínimo de contribuição continua sendo de 30 anos para mulheres e 35 anos para homens.

    Outra regra que muda é a regra dos pontos, que soma a idade com o tempo de contribuição. A pontuação exigida aumenta um ponto por ano. Em 2026, será preciso atingir 93 pontos para mulheres e 103 pontos para homens, além do tempo mínimo de contribuição de 30 anos (mulheres) e 35 anos (homens).

    Existem ainda duas regras de transição que não mudam. A primeira é o pedágio de 50%, válido para quem, em novembro de 2019, estava a até dois anos de se aposentar por tempo de contribuição. Nesse caso, a pessoa precisa contribuir pelo tempo que faltava, mais 50% desse período. Não há idade mínima. A segunda é o pedágio de 100%, em que é necessário trabalhar o dobro do tempo que faltava para se aposentar em 2019. Nessa regra, a idade mínima é de 57 anos para mulheres e 60 anos para homens.

    A regra geral de aposentadoria também continua a mesma. As mulheres precisam ter 62 anos de idade e 15 anos de contribuição. Os homens precisam ter 65 anos de idade e 20 anos de contribuição. Para homens que começaram a contribuir antes de novembro de 2019, o tempo mínimo é de 15 anos.

    Simulador de aposentadoria

    O INSS oferece um simulador online que ajuda a calcular quanto tempo falta para se aposentar, considerando todas as regras. O serviço é gratuito e não exige ida a uma agência. Para usar, basta acessar o Meu INSS, entrar com CPF e senha, escolher a opção “Simular Aposentadoria” e conferir o resultado. A simulação é apenas uma referência e não garante o direito ao benefício.

  • O que são fundos de investimentos?

    O que são fundos de investimentos?

    Fundo de Investimento Financeiro (FIF) é uma comunhão de recursos, constituído sob a forma de condomínio de natureza especial, destinado à aplicação em ativos financeiros como títulos públicos, ações e moedas. 

    💡 Analogia do Condomínio. Imagine o fundo como um condomínio de apartamentos: cada morador é dono de seu apartamento (cota), mas todos utilizam e pagam pela manutenção das áreas comuns — piscina, portaria, elevadores. No fundo de investimento, o funcionamento é similar: você é dono de uma parte do patrimônio, mas as decisões de investimento e a manutenção da estrutura são compartilhadas e geridas por profissionais. 

    Ao aplicar seu dinheiro, você adquire cotas, que são frações do patrimônio desse fundo e são classificadas como valores mobiliários. O investidor, portanto, passa a ser um cotista

    O objetivo central do FIF é promover a aplicação coletiva, permitindo que o pequeno investidor tenha acesso a estratégias profissionais e diversificadas que seriam difíceis de alcançar individualmente. 

  • Investindo em ações

    Investindo em ações

    Ações são valores mobiliários emitidos por sociedades anônimas representativos de uma parcela do seu capital social. Em outras palavras, são títulos de propriedade que conferem a seus detentores (investidores) a participação na sociedade da empresa.

    Elas são emitidas por empresas que desejam principalmente captar recursos para desenvolver projetos que viabilizem o seu crescimento.

    As ações podem ser de dois tipos, ordinárias ou preferenciais, sendo que a principal diferença é que as ordinárias dão ao seu detentor direito de voto nas assembleias de acionistas e as preferenciais permitem o recebimento de dividendos em valor superior ao das ações ordinárias, bem como a prioridade no recebimento de reembolso do capital.

    O primeiro lançamento de ações no mercado é chamado de Oferta Pública Inicial (também conhecido pela sigla em inglês IPO – Initial Public Offer). Após a abertura de capital e a oferta inicial, a empresa poderá realizar outras ofertas públicas, conhecidas como “Follow on”.

    As ofertas públicas de ações (IPO e Follow on) podem ser primárias e/ou secundárias. Nas ofertas primárias, a empresa capta recursos novos para investimento e reestruturação de passivos, ou seja, ocorre efetivamente um aumento de capital da empresa. As ofertas secundárias, por sua vez, proporcionam liquidez aos empreendedores, que vendem parte de suas ações, num processo em que o capital da empresa permanece o mesmo, porém ocorre um aumento na base de sócios

    A B3 criou segmentos especiais de listagem da companhias – Bovespa Mais, Bovespa Mais Nível 2, Novo Mercado, Nível 2 e Nível 1. Todos os segmentos prezam por rígidas regras de governança corporativa. Essas regras vão além das obrigações que as companhias têm perante a Lei das Sociedades por Ações e têm como objetivo melhorar a avaliação das companhias que decidem aderir, voluntariamente, a um desses níveis de listagem.

    Além disso, tais regras atraem os investidores. Ao assegurar direitos e garantias aos acionistas, bem como a divulgação de informações mais completas para controladores, gestores da companhia e participantes do mercado, o risco é reduzido

  • O que é o Tesouro Direto

    O que é o Tesouro Direto

    O Tesouro Direto é um Programa do Tesouro Nacional desenvolvido em parceria com a B3 (bolsa de valores) para venda de títulos públicos federais para pessoas físicas, por meio da internet.

    Concebido em 2002, esse Programa surgiu com o objetivo de democratizar o acesso aos títulos públicos, ao permitir aplicações com apenas R$ 30,00. Antes do Tesouro Direto, o investimento em títulos públicos por pessoas físicas era possível somente indiretamente, por meio de fundos de renda fixa que, por cobrarem elevadas taxas de administração, especialmente em aplicações de baixo valor, reduziam a atratividade desse tipo de investimento.

    O Tesouro Direto contribuiu para a diversificação e complementação das alternativas de investimento disponíveis no mercado, ao oferecer títulos com diferentes tipos de rentabilidade (prefixada, ligada à variação da inflação ou à variação da taxa de juros básica da economia – Selic), de prazos de vencimento e de fluxos de remuneração. Com tantas opções, fica fácil achar um título indicado para a sua necessidade.

    Além de acessível e de apresentar opções de investimento que se encaixam aos seus objetivos financeiros, o Tesouro Direto oferece boa rentabilidade e liquidez diária, mesmo sendo a aplicação de menor risco do mercado. 

  • Mortes por Desespero – Anne Case e Angus Deaton

    Mortes por Desespero – Anne Case e Angus Deaton

    Em Mortes por Desespero e o Futuro do Capitalismo (Deaths of Despair and the Future of Capitalism), Anne Case e Angus Deaton investigam um fenômeno que surpreendeu economistas e demógrafos: a reversão da tendência histórica de aumento da expectativa de vida nos Estados Unidos. A partir dos anos 1990, e de forma mais intensa na década seguinte, homens e mulheres brancos de meia-idade, com baixa escolaridade, passaram a morrer em taxas crescentes não por doenças infecciosas ou envelhecimento, mas por suicídios, overdoses de drogas e álcool e doenças relacionadas ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Os autores denominam esse conjunto de causas de “mortes por desespero”.

    A tese central do livro é que essas mortes não representam um problema exclusivamente de saúde pública, mas o sintoma mais visível de uma profunda deterioração econômica e social. Segundo Case e Deaton, milhões de trabalhadores americanos perderam, ao longo das últimas décadas, empregos estáveis, perspectivas de ascensão social e o sentimento de pertencimento que tradicionalmente era proporcionado pelo trabalho. O resultado foi o aumento do isolamento, da instabilidade familiar, da dependência química e de doenças mentais.

    Os autores atribuem esse processo, em grande medida, às transformações ocorridas no mercado de trabalho desde os anos 1970. A globalização, a automação e a redução do poder de barganha dos sindicatos comprimiram os salários dos trabalhadores menos qualificados e ampliaram a desigualdade de renda. Ao mesmo tempo, empregos industriais relativamente bem remunerados foram substituídos por ocupações menos estáveis e com menor proteção social. Embora a economia americana tenha continuado crescendo, os ganhos foram apropriados de maneira desproporcional pelos trabalhadores mais qualificados e pelos detentores de capital.

    Case e Deaton enfatizam que o diploma universitário tornou-se um divisor de águas. Enquanto indivíduos com ensino superior continuaram apresentando melhora na renda, na saúde e na expectativa de vida, aqueles sem formação universitária passaram a enfrentar salários estagnados, menor estabilidade profissional e piores indicadores de saúde física e mental. Essa divisão educacional tornou-se um dos principais determinantes das desigualdades contemporâneas nos Estados Unidos.

    O sistema de saúde americano ocupa posição de destaque na análise. Para os autores, trata-se de um modelo extremamente caro, pouco eficiente e que beneficia diversos grupos de interesse — hospitais, seguradoras, indústria farmacêutica e profissionais da saúde — sem oferecer cobertura adequada para grande parte da população. A crise dos opioides ilustra esse problema: medicamentos altamente viciantes foram amplamente prescritos durante anos, contribuindo para centenas de milhares de mortes por overdose e agravando o quadro de desespero social.

    Apesar das críticas contundentes, os autores deixam claro que não defendem o abandono do capitalismo. Seu argumento é que o capitalismo americano passou a funcionar de maneira excessivamente concentradora, reduzindo oportunidades de mobilidade social e enfraquecendo instituições fundamentais, como o trabalho, a família e as comunidades locais. Em vez de rejeitar a economia de mercado, propõem reformas que fortaleçam a concorrência, ampliem o acesso à educação, reduzam privilégios corporativos e promovam melhores condições para trabalhadores de menor qualificação.

    A principal contribuição de Mortes por Desespero é mostrar que indicadores tradicionais, como crescimento do PIB ou valorização do mercado acionário, podem ocultar profundas fragilidades sociais. Uma economia pode se expandir enquanto parte significativa da população perde renda, saúde e esperança. Para Case e Deaton, compreender o capitalismo contemporâneo exige olhar além das estatísticas agregadas e reconhecer que o verdadeiro desenvolvimento depende da capacidade de gerar oportunidades, dignidade e perspectivas de futuro para a maioria da população. Nesse sentido, as “mortes por desespero” representam não apenas uma tragédia humana, mas também um alerta sobre os custos sociais de um crescimento econômico cujos benefícios deixam de alcançar parcelas importantes da sociedade.