Quem está perto de se aposentar precisa ficar atento às mudanças nas regras em 2026. A Reforma da Previdência, aprovada em 2019 pela Emenda Constitucional (EC) 103/2019, prevê alterações anuais nas chamadas regras de transição. Essas regras valem para quem já contribuía para o INSS antes de novembro de 2019.
Uma das regras é a da idade mínima progressiva. Nela, o tempo de contribuição não muda, mas a idade mínima aumenta seis meses a cada ano. Em 2026, será necessário ter 59 anos e seis meses de idade para mulheres e 64 anos e seis meses para homens. O tempo mínimo de contribuição continua sendo de 30 anos para mulheres e 35 anos para homens.
Outra regra que muda é a regra dos pontos, que soma a idade com o tempo de contribuição. A pontuação exigida aumenta um ponto por ano. Em 2026, será preciso atingir 93 pontos para mulheres e 103 pontos para homens, além do tempo mínimo de contribuição de 30 anos (mulheres) e 35 anos (homens).
Existem ainda duas regras de transição que não mudam. A primeira é o pedágio de 50%, válido para quem, em novembro de 2019, estava a até dois anos de se aposentar por tempo de contribuição. Nesse caso, a pessoa precisa contribuir pelo tempo que faltava, mais 50% desse período. Não há idade mínima. A segunda é o pedágio de 100%, em que é necessário trabalhar o dobro do tempo que faltava para se aposentar em 2019. Nessa regra, a idade mínima é de 57 anos para mulheres e 60 anos para homens.
A regra geral de aposentadoria também continua a mesma. As mulheres precisam ter 62 anos de idade e 15 anos de contribuição. Os homens precisam ter 65 anos de idade e 20 anos de contribuição. Para homens que começaram a contribuir antes de novembro de 2019, o tempo mínimo é de 15 anos.
Simulador de aposentadoria
O INSS oferece um simulador online que ajuda a calcular quanto tempo falta para se aposentar, considerando todas as regras. O serviço é gratuito e não exige ida a uma agência. Para usar, basta acessar o Meu INSS, entrar com CPF e senha, escolher a opção “Simular Aposentadoria” e conferir o resultado. A simulação é apenas uma referência e não garante o direito ao benefício.
O Fundo de Investimento Financeiro (FIF) é uma comunhão de recursos, constituído sob a forma de condomínio de natureza especial, destinado à aplicação em ativos financeiros como títulos públicos, ações e moedas.
💡 Analogia do Condomínio. Imagine o fundo como um condomínio de apartamentos: cada morador é dono de seu apartamento (cota), mas todos utilizam e pagam pela manutenção das áreas comuns — piscina, portaria, elevadores. No fundo de investimento, o funcionamento é similar: você é dono de uma parte do patrimônio, mas as decisões de investimento e a manutenção da estrutura são compartilhadas e geridas por profissionais.
Ao aplicar seu dinheiro, você adquire cotas, que são frações do patrimônio desse fundo e são classificadas como valores mobiliários. O investidor, portanto, passa a ser um cotista.
O objetivo central do FIF é promover a aplicação coletiva, permitindo que o pequeno investidor tenha acesso a estratégias profissionais e diversificadas que seriam difíceis de alcançar individualmente.
Ações são valores mobiliários emitidos por sociedades anônimas representativos de uma parcela do seu capital social. Em outras palavras, são títulos de propriedade que conferem a seus detentores (investidores) a participação na sociedade da empresa.
Elas são emitidas por empresas que desejam principalmente captar recursos para desenvolver projetos que viabilizem o seu crescimento.
As ações podem ser de dois tipos, ordinárias ou preferenciais, sendo que a principal diferença é que as ordinárias dão ao seu detentor direito de voto nas assembleias de acionistas e as preferenciais permitem o recebimento de dividendos em valor superior ao das ações ordinárias, bem como a prioridade no recebimento de reembolso do capital.
O primeiro lançamento de ações no mercado é chamado de Oferta Pública Inicial (também conhecido pela sigla em inglês IPO – Initial Public Offer). Após a abertura de capital e a oferta inicial, a empresa poderá realizar outras ofertas públicas, conhecidas como “Follow on”.
As ofertas públicas de ações (IPO e Follow on) podem ser primárias e/ou secundárias. Nas ofertas primárias, a empresa capta recursos novos para investimento e reestruturação de passivos, ou seja, ocorre efetivamente um aumento de capital da empresa. As ofertas secundárias, por sua vez, proporcionam liquidez aos empreendedores, que vendem parte de suas ações, num processo em que o capital da empresa permanece o mesmo, porém ocorre um aumento na base de sócios
A B3 criou segmentos especiais de listagem da companhias – Bovespa Mais, Bovespa Mais Nível 2, Novo Mercado, Nível 2 e Nível 1. Todos os segmentos prezam por rígidas regras de governança corporativa. Essas regras vão além das obrigações que as companhias têm perante a Lei das Sociedades por Ações e têm como objetivo melhorar a avaliação das companhias que decidem aderir, voluntariamente, a um desses níveis de listagem.
Além disso, tais regras atraem os investidores. Ao assegurar direitos e garantias aos acionistas, bem como a divulgação de informações mais completas para controladores, gestores da companhia e participantes do mercado, o risco é reduzido
O Tesouro Direto é um Programa do Tesouro Nacional desenvolvido em parceria com a B3 (bolsa de valores) para venda de títulos públicos federais para pessoas físicas, por meio da internet.
Concebido em 2002, esse Programa surgiu com o objetivo de democratizar o acesso aos títulos públicos, ao permitir aplicações com apenas R$ 30,00. Antes do Tesouro Direto, o investimento em títulos públicos por pessoas físicas era possível somente indiretamente, por meio de fundos de renda fixa que, por cobrarem elevadas taxas de administração, especialmente em aplicações de baixo valor, reduziam a atratividade desse tipo de investimento.
O Tesouro Direto contribuiu para a diversificação e complementação das alternativas de investimento disponíveis no mercado, ao oferecer títulos com diferentes tipos de rentabilidade (prefixada, ligada à variação da inflação ou à variação da taxa de juros básica da economia – Selic), de prazos de vencimento e de fluxos de remuneração. Com tantas opções, fica fácil achar um título indicado para a sua necessidade.
Além de acessível e de apresentar opções de investimento que se encaixam aos seus objetivos financeiros, o Tesouro Direto oferece boa rentabilidade e liquidez diária, mesmo sendo a aplicação de menor risco do mercado.
Em Mortes por Desespero e o Futuro do Capitalismo (Deaths of Despair and the Future of Capitalism), Anne Case e Angus Deaton investigam um fenômeno que surpreendeu economistas e demógrafos: a reversão da tendência histórica de aumento da expectativa de vida nos Estados Unidos. A partir dos anos 1990, e de forma mais intensa na década seguinte, homens e mulheres brancos de meia-idade, com baixa escolaridade, passaram a morrer em taxas crescentes não por doenças infecciosas ou envelhecimento, mas por suicídios, overdoses de drogas e álcool e doenças relacionadas ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Os autores denominam esse conjunto de causas de “mortes por desespero”.
A tese central do livro é que essas mortes não representam um problema exclusivamente de saúde pública, mas o sintoma mais visível de uma profunda deterioração econômica e social. Segundo Case e Deaton, milhões de trabalhadores americanos perderam, ao longo das últimas décadas, empregos estáveis, perspectivas de ascensão social e o sentimento de pertencimento que tradicionalmente era proporcionado pelo trabalho. O resultado foi o aumento do isolamento, da instabilidade familiar, da dependência química e de doenças mentais.
Os autores atribuem esse processo, em grande medida, às transformações ocorridas no mercado de trabalho desde os anos 1970. A globalização, a automação e a redução do poder de barganha dos sindicatos comprimiram os salários dos trabalhadores menos qualificados e ampliaram a desigualdade de renda. Ao mesmo tempo, empregos industriais relativamente bem remunerados foram substituídos por ocupações menos estáveis e com menor proteção social. Embora a economia americana tenha continuado crescendo, os ganhos foram apropriados de maneira desproporcional pelos trabalhadores mais qualificados e pelos detentores de capital.
Case e Deaton enfatizam que o diploma universitário tornou-se um divisor de águas. Enquanto indivíduos com ensino superior continuaram apresentando melhora na renda, na saúde e na expectativa de vida, aqueles sem formação universitária passaram a enfrentar salários estagnados, menor estabilidade profissional e piores indicadores de saúde física e mental. Essa divisão educacional tornou-se um dos principais determinantes das desigualdades contemporâneas nos Estados Unidos.
O sistema de saúde americano ocupa posição de destaque na análise. Para os autores, trata-se de um modelo extremamente caro, pouco eficiente e que beneficia diversos grupos de interesse — hospitais, seguradoras, indústria farmacêutica e profissionais da saúde — sem oferecer cobertura adequada para grande parte da população. A crise dos opioides ilustra esse problema: medicamentos altamente viciantes foram amplamente prescritos durante anos, contribuindo para centenas de milhares de mortes por overdose e agravando o quadro de desespero social.
Apesar das críticas contundentes, os autores deixam claro que não defendem o abandono do capitalismo. Seu argumento é que o capitalismo americano passou a funcionar de maneira excessivamente concentradora, reduzindo oportunidades de mobilidade social e enfraquecendo instituições fundamentais, como o trabalho, a família e as comunidades locais. Em vez de rejeitar a economia de mercado, propõem reformas que fortaleçam a concorrência, ampliem o acesso à educação, reduzam privilégios corporativos e promovam melhores condições para trabalhadores de menor qualificação.
A principal contribuição de Mortes por Desespero é mostrar que indicadores tradicionais, como crescimento do PIB ou valorização do mercado acionário, podem ocultar profundas fragilidades sociais. Uma economia pode se expandir enquanto parte significativa da população perde renda, saúde e esperança. Para Case e Deaton, compreender o capitalismo contemporâneo exige olhar além das estatísticas agregadas e reconhecer que o verdadeiro desenvolvimento depende da capacidade de gerar oportunidades, dignidade e perspectivas de futuro para a maioria da população. Nesse sentido, as “mortes por desespero” representam não apenas uma tragédia humana, mas também um alerta sobre os custos sociais de um crescimento econômico cujos benefícios deixam de alcançar parcelas importantes da sociedade.
Em Poder e Progresso (Power and Progress), Daron Acemoglu e Simon Johnson desafiam uma das crenças mais difundidas da economia moderna: a de que o progresso tecnológico gera, por si só, prosperidade para toda a sociedade. Para os autores, a história mostra exatamente o contrário. A tecnologia é uma ferramenta, e seus efeitos sobre crescimento, emprego e distribuição de renda dependem das instituições, das relações de poder e das escolhas políticas que orientam seu desenvolvimento.
O livro percorre diferentes momentos históricos, da Revolução Industrial à atual revolução da inteligência artificial, para demonstrar que grandes inovações frequentemente produziram, em um primeiro momento, concentração de riqueza e perda de poder para os trabalhadores. Na Inglaterra do século XIX, por exemplo, a mecanização elevou fortemente a produção, mas os salários permaneceram estagnados durante décadas e as condições de trabalho se deterioraram. Somente com o fortalecimento de sindicatos, a expansão da democracia, a educação pública e a criação de leis trabalhistas os ganhos de produtividade passaram a ser compartilhados de forma mais ampla.
Essa perspectiva leva os autores a uma distinção fundamental entre dois tipos de inovação. A primeira é aquela que complementa o trabalho humano, tornando os trabalhadores mais produtivos e elevando seus salários. A segunda busca simplesmente substituir pessoas por máquinas, algoritmos ou sistemas automatizados. Embora ambas possam aumentar a eficiência das empresas, apenas a primeira tende a gerar crescimento inclusivo e sustentável. Segundo Acemoglu e Johnson, nas últimas décadas predominou um modelo de inovação voltado à substituição do trabalho, impulsionado pelos incentivos econômicos das grandes empresas de tecnologia.
Nesse contexto, a inteligência artificial ocupa um papel central. Os autores não defendem limitar seu desenvolvimento, mas argumentam que seu uso deve ser orientado para ampliar as capacidades humanas, e não apenas reduzir custos com mão de obra. Sistemas capazes de auxiliar médicos, professores, engenheiros ou pesquisadores representam um caminho mais promissor do que aplicações voltadas exclusivamente à eliminação de postos de trabalho. Para eles, a direção da inovação é uma escolha econômica e política, e não uma consequência inevitável do avanço científico.
Outro argumento importante do livro é que o poder econômico influencia profundamente o rumo do progresso tecnológico. Grandes empresas, ao concentrarem recursos, dados e influência política, conseguem moldar os incentivos à inovação e capturar parcela crescente dos seus benefícios. Dessa forma, a desigualdade observada em muitas economias avançadas não decorre apenas do progresso tecnológico, mas também da forma como mercados e instituições distribuem seus frutos.
A principal conclusão de Poder e Progresso é que não existe determinismo tecnológico. O crescimento econômico e o aumento do bem-estar dependem menos da velocidade das inovações do que da existência de instituições capazes de promover concorrência, ampliar oportunidades, fortalecer o capital humano e garantir que os ganhos de produtividade sejam compartilhados por toda a sociedade. Em um momento em que a inteligência artificial promete transformar profundamente o mercado de trabalho, Acemoglu e Johnson oferecem uma mensagem clara: o futuro não será definido pela tecnologia em si, mas pelas decisões coletivas sobre como desenvolvê-la, regulá-la e distribuir seus benefícios.
Joseph Stiglitz, em The Road to Freedom, constrói uma resposta direta ao pensamento neoliberal clássico e, em particular, à tradição representada por Friedrich Hayek em O Caminho da Servidão. Enquanto Hayek argumenta que a intervenção estatal ameaça a liberdade individual, Stiglitz propõe uma visão alternativa: mercados desregulados podem, eles próprios, restringir a liberdade, ao gerar desigualdade, concentração de poder e falhas sistêmicas.
A tese central de Stiglitz é que a liberdade não pode ser reduzida à ausência de intervenção estatal. Pelo contrário, liberdade efetiva depende de condições materiais, acesso a oportunidades e estruturas institucionais que garantam competição justa. Nesse sentido, ele se aproxima da noção de “liberdade substantiva”, mas sem defender o autoritarismo estatal. Seu argumento é que o Estado, quando bem desenhado, amplia — e não reduz — a liberdade.
O ponto de partida é a crítica ao neoliberalismo. Segundo Stiglitz, a crença de que mercados são eficientes e autorregulados ignora evidências empíricas fundamentais. Assimetrias de informação, externalidades e poder de mercado distorcem resultados e limitam escolhas individuais. Em vez de promover liberdade, mercados desregulados podem gerar situações em que poucos agentes dominam recursos, informação e influência política.
Aqui está o primeiro contraponto direto a Hayek. Para Hayek, o problema central é o conhecimento: nenhum planejador central possui informação suficiente para organizar a economia. Stiglitz concorda com a importância da informação, mas mostra que os próprios mercados sofrem com falhas informacionais profundas. Assim, o problema não é apenas o Estado não saber — é que o mercado também não resolve isso sozinho.
O segundo contraponto é o papel do poder econômico. Stiglitz enfatiza que concentração de renda e riqueza leva à concentração de poder político. Isso distorce regras do jogo, reduz concorrência e limita a liberdade de outros agentes. Nesse cenário, a ausência de intervenção estatal não gera liberdade, mas sim dominação privada.
Nesse contexto, Stiglitz redefine liberdade como capacidade efetiva de escolha. Isso inclui acesso a educação, saúde, crédito e informação. Sem esses elementos, a liberdade formal — direito de escolher — torna-se vazia para grande parte da população. O Estado, portanto, tem papel fundamental em criar as condições para que indivíduos possam exercer suas escolhas de forma real.
Diferentemente de propostas centralizadoras do passado, Stiglitz não defende planejamento estatal amplo. Sua proposta é uma economia mista, na qual o Estado corrige falhas de mercado, regula setores estratégicos e promove igualdade de oportunidades. Políticas públicas, nesse sentido, não são inimigas da liberdade, mas instrumentos para ampliá-la.
Outro ponto importante é a crítica à ideia de que desigualdade é um subproduto necessário da eficiência. Stiglitz argumenta que altos níveis de desigualdade reduzem crescimento, enfraquecem a coesão social e limitam a mobilidade econômica. Assim, combater desigualdade não é apenas uma questão de justiça, mas de eficiência e liberdade.
Ao longo do livro, Stiglitz também enfatiza o papel das instituições democráticas. Ao contrário de modelos autoritários, ele defende que políticas públicas devem emergir de processos democráticos transparentes e responsáveis. Isso evita o risco apontado por Hayek de concentração excessiva de poder no Estado.
Em síntese, The Road to Freedom apresenta uma visão alternativa ao neoliberalismo: liberdade não é apenas ausência de coerção estatal, mas presença de condições que permitam escolhas reais. Mercados são instrumentos importantes, mas não suficientes. O Estado, quando bem estruturado, é parte essencial de uma sociedade livre.
Como contraponto ao Caminho da Servidão, Stiglitz inverte a pergunta: o risco à liberdade não vem apenas do Estado, mas também de mercados desregulados e concentrados. A verdadeira questão não é “Estado versus mercado”, mas como equilibrar ambos para maximizar liberdade, eficiência e justiça.
Conclusão Stiglitz propõe um novo enquadramento do debate sobre liberdade. Em vez de opor Estado e mercado, ele sugere uma complementaridade institucional. Liberdade, nesse contexto, é um resultado coletivo, construído por meio de instituições que garantem tanto direitos quanto oportunidades. Ao fazer isso, ele oferece uma crítica consistente ao neoliberalismo e uma alternativa baseada em evidência empírica e teoria econômica moderna.
A B3 informou nesta sexta-feira (31) que segue trabalhando na disponibilização de arquivos para os participantes do mercado, na abertura da Câmara B3 e na normalização das negociações, após os atrasos operacionais que impediram a abertura regular do pregão pela manhã.
Segundo atualização divulgada pela bolsa, os contratos futuros de dólar, incluindo DOL, DR1, FRP0 e FRP1, tiveram a negociação liberada às 9h35. Já os contratos de mini-índice (WIN) e mini-dólar (WDO), que tiveram sua abertura adiada mais cedo, têm previsão de iniciar as negociações às 12h30, com leilão de pré-abertura marcado para 12h28.
A B3 também informou que todos os demais ativos e contratos negociados na bolsa deverão começar a ser liberados a partir das 12h30, quando ocorrerá o encerramento gradual dos leilões que mantiveram os mercados paralisados durante a manhã.
🔋 Outro destaque foi a divisão de metais básicos. O cobre e o níquel apresentaram forte evolução operacional, levando a Vale a elevar suas projeções de produção e reduzir as estimativas de custos dessas operações. Esse segmento vem ganhando importância na estratégia da empresa, impulsionado pela demanda ligada à eletrificação e à transição energética.
⛏️ A Vale entregou um resultado melhor do que o mercado esperava no segundo trimestre, mas os números exigem uma leitura além do lucro líquido.
📉 À primeira vista, o lucro caiu 43% em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 6,8 bilhões. Esse dado, porém, foi fortemente influenciado pela valorização do real frente ao dólar e pelo aumento dos custos. Como a Vale vende em dólar e divulga seus resultados em reais, a apreciação da moeda brasileira reduz o lucro contábil.
💰 Por outro lado, a operação continuou mostrando força. A receita cresceu 6%, para R$ 53 bilhões, e a geração de caixa permaneceu robusta. A companhia anunciou dividendos de R$ 2,03 por ação, além de um novo programa de recompra de até 100 milhões de ações, equivalente a cerca de 2,3% do capital.
⚠️ O principal ponto de atenção ficou com o minério de ferro. A Vale revisou para cima sua projeção de custos para 2026, refletindo principalmente a valorização do real e o aumento das despesas com combustíveis e fretes. A boa notícia é que essa revisão já era amplamente esperada pelos analistas e, por isso, não deve alterar de forma significativa a visão do mercado sobre a companhia.
📊 No conjunto, o balanço reforça uma Vale que continua gerando muito caixa, remunerando seus acionistas e avançando em projetos importantes de crescimento, embora ainda enfrente um ambiente de custos mais elevados para o minério de ferro.
🇺🇸 A reação inicial do mercado é moderadamente positiva: no pré-mercado de Nova York, o ADR da Vale era negociado a US$ 15,02, com alta de 0,13%.
A crise financeira de 2008 é considerada uma das maiores crises econômicas da história moderna. Por ter surgido após tanto tempo de gerenciamento “eficaz” da economia global e por seus efeitos catastróficos, ela é um evento a ser estudado por muito tempo.
Os dois livros indicados fazem parte de um esforço coletivo para tentar explicar suas causas, avaliar a profundidade dos estragos, sua duração e suas conexões com o enfraquecimento da democracia liberal do Ocidente.
As perspectivas de análise dos dois autores são bem diferentes, mas se complementam. Bernanke foi um dos articuladores das respostas do governo dos EUA, usando seus conhecimentos e sua influência para garantir uma saída à quebra do sistema financeiro global. Tooze, historiador e autor de grande influência, discute a crise tentando nos mostrar como ela se estendeu para o resto do mundo e produziu uma enorme radicalização das estruturas econômicas, sociais e políticas das economias ocidentais. O mundo que se tornou mais endividado, mais desigual e mais vulnerável às propostas populistas de solução para problemas estruturais complexos e sensíveis.
Os livros não estão traduzidos para o português e talvez não o sejam nunca. O mercado editorial em português não deve ter demanda que justifique sua publicação. O tema e seus desdobramentos, porém, estão e continuarão estando por aqui de forma contundente.
Ben Bernanke, The Courage to Act.
Bernanke escreveu um livro de memórias e, a partir dele, tentou mostrar como a crise ocorreu e de que maneira ele elaborou o conjunto de soluções que surgiram de seu posto no Federal Reserve. É um acadêmico, que fez sua graduação em Harvard e o PhD no MIT, sob a orientação de Stanley Fischer, com uma tese sobre a Grande Depressão. Deu aulas em Stanford e Princeton, iniciando sua carreira no Federal Reserve como diretor indicado por Glenn Hubbard, um professor da Columbia, que foi presidente do Conselho de Assessores Econômicos de George Bush. Quando foi para o banco central, seus trabalhos sobre a crise de 1929 e crises financeiras em geral já eram bem conhecidos.
Iniciou a sua vida de policy maker na era Greenspan, assistindo ao “milagre” do crescimento com baixa inflação, que permitiu que o FED mantivesse juros muito baixos e que fosse instituído o que se chamou de FED PUT. Esse mecanismo abstrato, implícito, significava que toda vez que o FED fosse duro com a inflação e o mercado derretesse, o movimento seria imediatamente interrompido e a política monetária se voltaria para socorrer Wall Street. Greenspan governou o BC depois de Paul Volcker ter aplicado um choque monumental de juros, que arrasou com as dívidas latino-americanas e com o sistema hipotecário dos EUA. Em contrapartida, colocou a inflação em trajetória de baixa, ajudada pela simultaneidade da queda do muro de Berlim e a aceleração da globalização. A partir desse período, os salários industriais nas economias avançadas passaram a cair ou, no máximo, a ficar estagnados. Ao mesmo tempo, as cadeias globais de suprimentos se integravam, alimentadas pelos salários baixos do sudeste asiático. Nos países avançados ocorreu uma automação turbinada das linhas de produção, suprimindo milhões de vagas dos trabalhadores de colarinho azul, operários industriais bem pagos.
Bernanke, define esse período como A Grande Moderação, de crescimento rápido e inflação mais baixa. Um “milagre” que retirou o mundo do risco inflacionário, permitiu que a teoria econômica se unificasse uma nova síntese, a Neokeynesiana, e que as políticas econômicas seguissem novos paradigmas, com disciplina fiscal, câmbio flutuante e regime de metas de inflação para os bancos centrais.
Alan Greenspan apostou fortemente na inflação baixa e manteve os juros em queda em boa parte de seus dezenove anos como presidente do FED. Bernanke relata passagens memoráveis do Comitê de Política Monetária (FOMC), nas quais Greenspan surpreendia a todos em sua inabalável confiança na capacidade dos mercados se autogovernarem e da economia dos EUA crescer sem inflação.
Os gringos usam o termo de Goldilocks (cachinhos dourados) para designar economias que crescem bem e sem inflação. Quando Greenspan saiu, tudo parecia assim. Aposentou-se como um herói nacional, com direito a aplausos efusivos em uma partida de basquete. Sua política de juros baixos e grande liquidez, associada à expansão fiscal contínua, produziu uma enorme bolha imobiliária. Não apenas as ações subiram, formando a bolha da internet que estourou no final dos anos 1990, mas o setor imobiliário produziu um frenesi, com uma expansão da construção de imóveis residenciais e comerciais, com uma alta de 120% no preço médio dos imóveis urbanos em dez anos. Para sustentar esse mercado, o sistema bancário produziu inúmeros produtos, incentivados pela desregulamentação feita no governo Clinton, que permitiam o acesso à moradia a várias camadas da sociedade que eram marginalizadas no sistema convencional.
O FED tinha consciência do exagero dos preços e os monitorava de perto desde 2004. Em todas as reuniões do FOMC, a partir de então, havia um ponto específico para o mercado imobiliário, com destaque para os preços dos imóveis urbanos.
Índice Case-Schiller de preços de imóveis. FED St Louis,
Quando a queda dos preços dos imóveis bateu no sistema bancário, ela produziu a faísca que incendiou o mundo: a deflação imobiliária colocou os balanços das famílias, das empresas e dos bancos em colapso. O colapso do sistema financeiro, por sua vez, produziu uma destruição de riqueza que poucas vezes se viu.
Bernanke fala sobre os esforços para desinflar a bolha imobiliária de forma controlada. Os policy makers, no entanto, não tinham ideia do poder destrutivo que o estouro da bolha iria causar. O que estava fora da conta dos bancos centrais era o tamanho das dívidas imobiliárias, que se acumulavam fora dos balanços dos bancos. Como essas dívidas eram muito grandes, qualquer desvalorização nelas levaria a uma enorme perda para as instituições financeiras, a ponto de muitas delas ficarem com seus patrimônios negativos.
No capítulo 7, “Primeiros tremores, primeiras respostas”, Bernanke narra como a crise foi se apresentando ao mundo. O sistema financeiro criou os ABCP (asset backed commercial papers), que eram títulos emitidos por fundos e empresas, que juntavam milhares de hipotecas em um único contrato (parecido com os CRIs e CRAs atuais) e que eram negociados no mercado. Bilhões de dólares eram negociados todos os dias, a taxas atraentes, em um mundo que havia se acostumado a taxas elevadíssimas nos anos 1980, mas que haviam caído fortemente a partir dos 1990 e 2000. Em busca de remuneração atraente para suas carteiras, investidores criaram um sistema de “ganha-ganha”, no qual milhões de consumidores compravam suas casas, com juros mais baratos, e no qual centenas de bancos envelopavam dívidas em estruturas como os ABCP e as vendiam para investidores institucionais, pessoas físicas ou bancos estrangeiros. Todos saíam felicíssimos, já que os consumidores podiam comprar não apenas um imóvel, mas dois ou três e podiam refinanciá-los, colocando algum dinheiro no bolso e nem precisavam ter emprego ou renda. Os bancos ganhavam comissões bilionárias e os investidores tinham títulos com ótimos rendimentos. À medida que mais gente comprava imóveis, mais os preços dos imóveis subiam, mais as famílias podiam se endividar, dando seus imóveis em garantia.
Quando os preços dos imóveis começaram a cair, as garantias dos empréstimos passaram a ficar insuficientes e, pior, nem que vendessem suas casas, as famílias conseguiriam pagar suas dívidas. Como havia bilhões de dólares em negociações diárias de ABCP, quando seus preços passaram a cair, os caixas das instituições financeiras começaram a ser esvaziados. Tudo isso começou a ser monitorado pelo FED de Nova York, responsável por acompanhar as operações bancárias de Wall Street. Bancos e investidores desesperados saiam vendendo títulos de dívida hipotecárias, o que fazia os seus preços derreterem e isso gerava novas ondas de vendas.
Ao longo de seu livro, Bernanke tenta mostrar o cenário geral de derretimento dos mercados, a falência do Lehman Brothers e as ações que FED, Tesouro dos EUA e bancos centrais mundo afora adotaram para tentar deter a paralisia total da economia global. Foram necessários novos arranjos institucionais, com a aprovação do Congresso dos EUA e com uma profunda desconfiança dos políticos e da população. Vale destacar que os segmentos mais conservadores dos republicanos eram terminantemente contra qualquer ação mais forte do FED e do Tesouro, por entenderem que os mercados deveriam resolver tudo sozinhos e que o estado não poderia aumentar sua participação na economia. Os pacotes aprovados foram suficientes para estancar a crise, já no governo Obama, mas os custos sobre a sociedade seriam enormes. Sob a desculpa de que não toleravam a nacionalização dos bancos, os legisladores jogaram todo o peso do ajuste sobre os devedores do sistema hipotecário, levando a 4,8 milhões de retomadas de imóveis e cerca de 24 milhões de desempregados.
EUA: Número de desempregados, em milhares. Fonte: FED St Louis.
Além disso, o socorro bancário de trilhões de dólares ocorreu junto com o aumento da dívida americana, que saiu dos US$ 8,6 trilhões, no final de 2006, para US$ 16,5 trilhões, no final de 2012, uma alta de 92%. As gerações posteriores serão responsáveis por parte dos elevados encargos dessa crise.
Dívida pública total dos EUA, em US$. Fonte: FED St Louis.
As teses de Bernanke, porém, não se centraram nos custos do resgate e, tampouco, nas causas da crise. Seu livro, como o seu trabalho acadêmico, está direcionado ao processo de resgate da economia dos EUA e os reflexos potenciais da crise sobre o sistema bancário. Foi Bernanke, e com ele Timothy Geithner, Larry Summers e outros, que lançaram desde o início, um projeto claro de resgate, baseado nos aportes de capital dos bancos e na expansão contínua do balanço do FED (Quantitative Easing). A taxa de desemprego, que explodiu durante a crise, cedeu rapidamente. A Taxa de crescimento da economia e outros indicadores de atividade foram limitados em suas quedas e tiveram uma recuperação mais rápida que a da Crise de 1929. De 1929 a 1933, o comércio internacional contraiu-se de US$ 3 bilhões para US$ 944 em 1933, uma queda de 65%, causada pela depressão dos EUA, o contágio da economia europeia e uma Guerra Comercial que tentou minimizar os custos da crise para cada participante mas acabou jogando todos no abismo.
A contração do comércio global: importações de 75 países, de jan/1929 a mar/1933, em milhões de dólares. Fonte: Kindleberger, C.P. “The World in Depression 1929-1939”.
A Grande Depressão custou milhões de vidas e a organização social e política do mundo sofreu uma ruptura perigosa, com a ascensão do nazi-fascismo na Europa e Japão e uma série de regimes autoritários simpáticos a ele América Latina e Ásia. Para fugir dessa perspectiva terrível, os países se alinharam rapidamente no G-20 para coordenar políticas de resgate e impedir o caos dos anos 1930. E essa foi uma inovação adicional: evitar o colapso global por conta de políticas competitivas dos grandes países e blocos afetados pela crise financeira.
Adam Tooze, Crashed – How a Decade of Financial Crises Changed the World.
Adam Tooze é um economista inglês, graduado pelo King’s College, de Cambridge, e PhD pela London School of Economics. Foi professor em Cambridge de 1996 a 2009, passou pela Yale University e, a partir de 2015, é professor no Departamento de História da Columbia University, onde dirige o International Security Studies. Seu campo de estudos é a história econômica, produzindo pesquisas sobre a economia alemã na era nazista e produz artigos acadêmicos e na grande imprensa com muita frequência. É articulista no Financial Times, The Guardian, London Review of Books, New Left Review, Wall Street Journal, NYT, Spiegel e outros.
O seu relato sobre a crise de 2008 é bastante estruturado e difere bastante do de Bernanke, por ele não ter participado ativamente como protagonista da crise ou de sua solução. Faz uma avaliação crítica, detalhada e profunda das causas, das políticas de resgate e estabilização e das consequências para o mundo, por um longo período. Sob esse ponto de vista, o das profundas consequências, Tooze fornece um quadro mais completo que o de Bernanke. A crise serviu para mostrar os importantes elementos estruturais da globalização, a maneira como eles tornaram o mundo muito mais conectado no comércio e nas finanças e a necessidade de organização da governança global. A crise de 2008, Tooze reafirma o que foi dito enfaticamente por Bernake, foi bem mais grave e potencialmente mais devastadora que todas as anteriores, incluindo a Grande Depressão dos anos 1930. A implosão da economia só não ocorreu de forma catastrófica, porque houve uma reação política imediata e eficiente, coordenada pelo Federal Reserve dos EUA, sob a liderança de Bernanke e do Tesouro, inicialmente com “Hank” Paulson e, em seguida, por “Tim” Geithner. Os impulsos fiscais, o resgate bancário e corporativo e a imensa injeção de moeda a taxas de juros muito baixas, foram capazes de mitigar os efeitos da Depressão que, segundo Bernanke, poderiam fazer a economia “desaparecer” em 2008[1].1
[1]“If we don’t do this we may not have economy on Monday.” Bernanke to Congress Comittee evening Thursday 18 September 2008.