SELIC 15,00% ▲ 0,00pp IBOVESPA 132.480 ▼ 0,4% IPCA (12m) 4,2% ▲ 0,1pp USD/BRL 5,42 ▼ 0,2% CDI 14,90% — estável IFIX 3.310 ▲ 0,3% SELIC 15,00% ▲ 0,00pp IBOVESPA 132.480 ▼ 0,4% IPCA (12m) 4,2% ▲ 0,1pp USD/BRL 5,42 ▼ 0,2% CDI 14,90% — estável IFIX 3.310 ▲ 0,3%

Autor: Pedro Silveira

  • Investimentos no exterior

    Investimentos no exterior

    Como já falamos na postagem sobre a Carteira de Investimentos, a diversificação é fundamental para garantir uma relação entre risco e retorno bem equilibrada, que não seja concentrada em riscos específicos (idiossincráticos). Em todas as classes de ativos que falamos até agora, os riscos eram diversificados entre Renda Fixa e Renda Variável, mas não havia diversificação em relação a um risco muito relevante, o RISCO PAÍS. 

    O que é o risco país? É definido como a probabilidade de um país não conseguir honrar suas dívidas em dólar, a moeda chave global. E um país pode deixar de honrar suas dívidas em dólar quando tem uma crise de balanço de pagamentos. Hoje temos reservas internacionais de US$ 370 bilhões e a possibilidade de um calote externo é bem mais baixo do que já foi. O Brasil deu um calote da dívida externa em 1987 e viveu na corda bamba por muito tempo, dependendo de empréstimos do FMI e do Tesouro dos EUA para honrar suas obrigações. Hoje a situação é bem mais tranquila, com uma dívida pública externa baixa, de US$ 67 bilhões, modesta para os padrões históricos. Mas temos um volume imenso de investimentos de estrangeiros no Brasil e uma dívida privada também elevada. A Posição Internacional de Investimentos dos Brasil é de US$ 1,125 trilhão, segundo o BCB. Isso significa que o total de recursos que os estrangeiros têm no Brasil supera o total de recursos que os brasileiros têm no exterior. Se os estrangeiros “retirarem” todos os investimentos do Brasil e os brasileiros “retirarem” todos os investimentos do exterior, teremos um déficit de US$ 1,125 trilhão, o que é bem mais que nossas reservas internacionais. Essa conta não deve ser levada a ferro e fogo, já que boa parte dos investimentos são feitos em ativos de pouca liquidez e não podem ser mobilizados rapidamente e sem forte desvalorização. Imagine uma grande multinacional tentando desfazer-se de fábricas, edifícios e equipamentos em meio a uma crise. Assim, apesar do enorme volume do passivo externo líquido, ele deve ser pensado não tanto pelo fluxo que ele pode gerar de saída, mas pelo potencial que ele tem de gerar de saídas anuais de suas rendas (juros, royalties, aluguéis, dividendos, etc) e pelo potencial de hedge que os investidores precisam fazer para manter o valor em dólar de seus investimentos. Então, de maneira objetiva, esse enorme passivo externo torna a nossa moeda mais vulnerável a movimentos de compra de proteção pelos estrangeiros e pelo fluxo de pagamentos anuais dos serviços desses investimentos. Em 2025, o Brasil remeteu ao exterior US$ 81 bilhões de lucros, dividendos, juros e outras despesas de capital. Resumindo: temos uma moeda que pode sofrer mais volatilidade à medida de estrangeiros busquem mais proteção ou que precisemos pagar mais serviços do capital. Portanto, o risco que o Brasil oferece ao investidor estrangeiros está associado à volatilidade do real, e pode ser medido pela diferença (prêmio) entre o retorno de um título brasileiro negociado no exterior e um título de mesmo vencimento do tesouro dos EUA. O gráfico abaixo mostra o comportamento diário do risco brasil, medido através da diferença entre títulos brasileiros de 5 anos e os títulos dos EUA do mesmo período. 

    A cotação de 111,28 refere-se a uma diferença de 1,11128% entre os títulos de 5 anos do Brasil e os de mesmo vencimento dos títulos dos EUA. Essa diferença sobe fortemente quando há muita incerteza em relação ao país, como vimos em 2025, quando o CDS bateu 500 pontos, ou 5% de prêmio sobre os rendimentos dos títulos dos EUA. 

    Como os títulos da dívida brasileira são considerados os títulos livres de risco em moeda local (real), cada vez que os juros da dívida brasileira sobem, os juros de todas as dívidas sobem. De maneira objetiva: todas vez que a dívida brasileira se desvaloriza, todos os ativos brasileiros se desvalorizam, desde ações e debêntures, até fundos imobiliários e LCIs/LCAs. Quando o risco do tesouro brasileiro sobe, os riscos dos títulos privados também sobem.

    Para o investidor mitigar os problemas de concentração em ativos brasileiros, ele precisa diversificar sua carteira em termos dos riscos soberanos. Se o Brasil  tiver um problema, ativos de outros países podem compensar a queda dos ativos brasileiros. Essa é a razão para diversificar a sua carteira, levando em conta a possibilidade de alocar em ativos internacionais.

    Como fazer isso?

    Os grandes investidores conseguem fazer essa diversificação mandando uma parte de sua carteira para exterior, onde serão administrados a partir de contas em grandes bancos ou corretoras dos EUA. Mas essa transferência de recursos tem custos, seja no ato da transferência (impostos e spreads na conversão do câmbio) seja no ato da negociação (as corretagens no exterior são elevadas). Quando o volume é muito alto esses custos são diluídos e não representam um problema. Porém, quando o volume é menor, esses custos pesam de forma substancial. Mas há uma solução segura, barata e eficiente: o investidor pode alocar em ETFs e BDRs negociados aqui na B3. Do ponto de vista da diversificação dos riscos ele fica totalmente atendido. A questão, apenas, é entender que o mesmo processo de alocação nas classes de risco vale aqui: uma parte em Renda Fixa e outra em Renda Variável, sempre em função do perfil de riscos do investidor. Além disso, essa parte da carteira fica sujeita às oscilações do câmbio, já que os ativos são cotados em dólar e a variação cambial passa a ser acrescida na volatilidade da carteira do investidor.

    Vale a pena fazer essa diversificação? Isso vai depender da capacidade que cada investidor tem de assumir os riscos e a volatilidade agregados em sua carteira. No geral, a resposta é afirmativa: diversificar é sempre importante para investidores de longo prazo.

  • A carteira de renda variável

    A carteira de renda variável

    Na carteira de investimentos, como vimos, uma parcela significativa pode, ou deve, ser alocada em renda variável. Trata-se de ações de empresas de Sociedade Anônima, com negociação nas bolsas. Nesse caso, a negociação diária das ações permite que saibamos, a todos os momentos do pregão, quanto vale cada ação. O mesmo não acontece com títulos de renda fixa, porque eles têm um mercado privado, diferente dos mercados de bolsas, que são públicos. Ações são parcelas do capital da empresa, que remuneram os acionistas com dividendos e juros sobre capital próprio dão direito a voto (as ON) na proporção das ações que cada um possui. A remuneração média do acionista, em dividendos e juros sobre capital próprio, gira em torno de 4% a 6%, o que é bastante razoável, se levarmos em conta que uma parte importante dos lucros das empresas é retida para reinvestimentos em seus negócios. As ações do Ibovespa pagaram  R$ 134,3 bilhões em dividendos e JCP em 2023, R$ 164,8 bilhões em 2024 e R$ 176 bilhões em 2025. Se a remuneração do credor de títulos é paga na forma de juros, a remuneração dos acionista é paga na forma de dividendos e juros sobre capital próprio. É claro que podemos adicionar a essa remuneração, os ganhos de capital que o acionista tem no ato da venda das ações, caso ele venda a um valor superior ao da compra.

    Segundo as pesquisas de economistas americanos, como Eugene Fama e Jeremy Siegel, os retornos das ações são superiores aos retornos dos títulos em quase todas as janelas de tempo, iniciando-se nos anos 1880 e vindo até os dias de hoje. A razão dessa “mágica” é que o detentor do título recebe uma remuneração definida no início da aplicação, correndo apenas o risco de crédito. Já o acionista, participa de todo risco empresarial da empresa: só receberá remuneração se a empresa der lucro e ficará a ver navios se ela der prejuízo. Se a empresa tiver sucesso, ele recebe participação nos lucros que ela terá ao longo dos ciclos de crescimento e amadurecimento. Mas nem todas as empresas vencem e a estrada para o sucesso não linear. Ao contrário, a escolha de empresas para ter na carteira de ações deve ser feita de forma objetiva e obedecendo às técnicas mais atualizadas, que sempre levam em conta a solidez e a dinâmica dos fundamentos, como crescimento das receitas, crescimento dos lucros, a situação do mercado e da economia, a concorrência, a disponibilidade de capital e o endividamento. Além disso, como coloquei no post anterior, montar uma carteira implica sempre em diversificação. Os riscos que cada empresa corre deve ser diversificado em relação às outras. Se uma for mal, por conta de algum evento em seu mercado, as outras podem compensar sua queda. Ademais, é importante acompanhar a saúde de sua carteira sempre, sobretudo para verificar se os resultados que as empresas estão entregando são compatíveis com as suas expectativas. Se algo vier muito diferente do planejado, você precisa fazer um rebalanceamento, reduzindo os pesos das ações que estão performando mal e aumentando os das que estão performando melhor. Mas essa gestão não deve ser exagerada, já que o horizonte de tempo para avaliação da carteira e de seus componentes é mais longo. O fundamental é escolher empresas que tenham bons fundamentos e que tenham uma perspectiva positiva para o futuro.

    Mais uma vez, é importante entender qual é seu perfil de risco, seu horizonte temporal para o investimento e suas expectativas em relação aos resultados. Dessa compreensão é que você vai estabelecer de forma adequada quais serão os pesos de cada classe de ativo (renda ou renda variável) e, dentro delas, qual a alocação ideal. Não há milagres quando se trata de investimentos, mas há muitos erros a serem evitados.

  • O tesouro dos EUA tenta conter as pressões sobre os juros, mas esse guerra também é difícil.

    O tesouro dos EUA tenta conter as pressões sobre os juros, mas esse guerra também é difícil.

    A semana foi agitada para todos os mercados. A principal fonte dessa agitação foi o maior mercado mundo, o de títulos da dívida dos EUA. A dívida da maior economia do planeta é de US$ 40 trilhões e continua subindo, por conta do déficit fiscal e da própria despesa crescente com juros. 

    A dívida alcançou o patamar de 122%, elevado mesmo para os padrões dos EUA.
    O déficit fiscal dos EUA está em 6% e é elevado para os padrões históricos

    À medida que os conflitos geopolíticos exigem uma redução das compras dos investidores estrangeiros, que ficam mais arredios a comprar títulos de uma potência em guerra, a demanda por esses títulos cresce à uma velocidade menor que o das emissões que são feitas. Além disso, o próprio setor privado emitiu muitas dívidas esse ano, sobretudo nos setores ligados à construção de data centers. A contabilidade de Wall Street registrou um total de US$ 800 bilhões em emissões de bonds corporativos para financiar a IA. Pesando ainda mais, há o choque do petróleo, derivado da guerra do Irã, que não dá mostras de terminar tão cedo. 

    Com os juros mais longos subindo e atingindo a maior taxa desde o período pré crise de 2008, todos os juros sobem nos EUA e no mundo. Desde o cidadão americano que precisa de hipoteca, ou uma empresa que precisa emitir um bond, ou um governo, como o brasileiro, que financia sua dívida, todos sentiram a alta dos juros dos EUA. Isso coloca a perspectiva de financiamento dos investimentos em grande desafio. Para tentar evitar a piora da situação, o Tesouro dos EUA anunciou que vai comprar seus títulos mais longo do mercado, financiando essa compra com emissão de títulos mais  curtos. Com isso, espera-se, as taxas mais longas podem recuar, dando um alívio ao mercado. Isso aconteceu, mas não resolveu o problema básico: o tamanho da dívida, o tamanho do déficit, a demanda privada por novas emissões de bonds e a alta da inflação derivada do choque do petróleo. O alívio pode ter sido efetivo, mas tem curta duração. O título de 30 anos do Tesouro dos EUA chegou a ser negociado a 5,35% aa na quarta-feira, dia 19/08/2026, e hoje está saindo a 5,25%, mesmo patamar da semana anterior. Parou de subir, mas ainda está muito alta.

    Taxa dos títulos de 30 anos do tesouro.

    Aqui uma nota sobre a condução da política nos EUA nesse período. O governo optou por uma política agressiva de redução dos impostos, por meio da lei de 2017, que colocou os impostos corporativos em 21%, de 35% em vigor até então, e das pessoas físicas, reduzindo alíquotas e aumentando deduções e, em 2025, por meio do One Big Beautiful Act , tornou todas as reduções anteriores permanentes e deu novas isenções, com uma gasto estimado em US$ 4,5 trilhões. Com a redução dos impostos, a tendência é de aumento do déficit do governo, ainda que exista uma crença entre os republicanos de que redução de impostos aumenta a taxa de crescimento e, com isso, aumenta a arrecadação. O fato é que o déficit subiu e essa alta é efetivamente percebida como permanente pelos investidores. Com déficits maiores, os custos fiscais para o financiamento aumentam.

    Dessa forma, Scott Bessent, o secretário do tesouro, sai a campo para tentar conter o aumento dos juros, mas tem pouca chance de obter vitórias definitivas. O próprio presidente do banco central, Kevin Warsh, não o ajuda nessa dura jornada, sinalizando que vai colocar no mercado os títulos públicos e privados que estão no balanço do FED, por conta das enormes compras realizadas no plano de estímulos em vigor desde a crise de 2008 e turbinado na pandemia. Tal plano, o Quantitative Easing, retirou do mercado mais de US$ 6 trilhões do mercado, em títulos do tesouro, títulos hipotecários e títulos corporativos. Se o FED resolver devolvê-los ao mercado vai produzir um efeito oposto à ação de compra do tesouro.

    O governo dos EUA parece ter objetivos contraditórios: de um lado espera turbinar a economia com redução de impostos, taxação das exportações e redução da inflação. De outro lado, coloca no banco central um executivo que quer acabar com o Quantitative Easing, inicia uma guerra que gera um enorme choque inflacionário e, de quebra, corta impostos, elevando o déficit. Vista dessa forma, a política econômica dos EUA não é tão diferente da nossa!.

  • A carteira de Renda Fixa.

    A carteira de Renda Fixa.

    O investidor precisa diversificar sua carteira para diluir os riscos inerentes aos investimentos. Se o plano é investidor pode uma, duas ou várias décadas, sabemos que nesse horizonte de tempo há uma probabilidade razoável de ocorrer problemas em alguns ativos. Empresas podem passar por quedas em suas vendas, em mudanças significativas em seus mercados ou, o que é frequente, sofrer os impactos das altas e baixas da taxa de crescimento da economia como um todo. Isso afeta os títulos de dívida e ações de empresas e os títulos da dívida pública. Cada um desses eventos tem o potencial fazer com que os preços de mercado desses títulos varie em algumas direções e magnitudes. Não conseguimos prever quando uma oscilação vai ocorrer, nem sua intensidade. Essa incerteza acerca do futuro, que faz os preços oscilarem, é chamada de risco.

    Dentro os ativos – ações, títulos públicos e privados, cotas de fundos – os impactos dessas mudanças conjunturais são específicas. Ações têm uma sensibilidade muito grande aos ciclos da economia, os títulos do tesouro funcionam como seguro contra a volatilidade dos mercados acionário e de câmbio, títulos privados podem atuar como amortecedores, já que podem ficar sem a marcação a mercado e assim por diante. A moderna teoria das finanças tem um consenso sobre a diversificação do risco: é importante distribuir ativos na sua carteira que tenham comportamento diferente a cada “choque” que o mercado sofre. Dessa forma, o risco de um ativo não está relacionado ao risco de outro ativo, o que limita a probabilidade da carteira ter sua rentabilidade comprometida quando uma empresa, setor ou, até mesmo, país entra em queda forte.

    No exterior, principalmente nos EUA, os investidores adotam uma estratégia de 70/30, ou seja, 70% em ações e 30% em renda fixa, para investimentos de longo prazo. Há maneiras diferentes de justificar essa escolha e táticas variadas para chegar a essa distribuição. Mas aqui, sobretudo pela volatilidade histórica de nossa bolsa e pela falta de tradição dos investidores na prática de construir carteiras de longo prazo, a distribuição se investe: 30% em ações e 70% em renda fixa.

    É claro que essa inversão não é tão subjetiva: temos taxas de juros muito elevadas que tornam as relações risco/retorno de ações e renda fixa muito mais favoráveis aos últimos. Com juros reais superiores e 6% (nos EUA eles geralmente ficam ao redor 1,5% ou 2%), os brasileiros têm um atalho bastante sedutor na renda fixa. Nos EUA, os investidores são obrigados a correr para ações para garantir retornos reais compatíveis com seus projetos de aposentadoria. Aqui no Brasil, eles conseguem os mesmos resultados sem se preocupar com os riscos de mercado. É fácil entender que renda fixa oferece muitas vantagens aqui em comparação com os títulos da mesma classe nos EUA ou Europa.

    Mas em quais títulos de renda fixa investir?

    Temos títulos públicos e privados e temos títulos cujas remunerações seguem regras diferentes. Mas o fundamental é entender que os títulos de renda fixa também têm oscilações de preços (marcação a mercado), o que pode fazer o valor de sua carteira aumentar ou cair ao longo do tempo. Em relação aos títulos públicos, a vantagem é que o risco de crédito (risco do tesouro quebrar) é próximo a zero. Em relação aos privados, o risco é proporcional à saúde financeira da empresa ao longo do tempo. Em geral, podemos seguir os sinais dados pelas agências de risco (S&P, Moody’s. Fitch e outras), que nos informam sobre a capacidade do devedor honrar seus compromissos. Empresas com risco baixo, pagam menos. Empresas com risco maior, pagam mais, para compensar o credor pelo risco corrido. Depois disso, é importante escolher que tipo de remuneração o investidor quer: pré fixada, indexada ao CDI/SELIC ou indexada ao IPCA. Cada uma das remunerações se adequa ao perfil de risco do investidor e às perspectivas do mercado para o cenário vigente na época da aplicação. Assim, ao escolher a parcela de sua carteira que será composta de renda fixa, o investidor escolhe entre títulos públicos ou privados, e entre títulos remunerados ao IPCA, CDI/SELIC ou pré fixados. Cada um desses títulos tem uma relação risco/retorno e ao investidor cabe escolhê-los de acordo com seus objetivos de investimentos e seu apetite de risco. 

    Há uma regra? Na verdade, há centenas delas, mas você deve começar a investir antes de tudo. Escolha seus objetivos e vá experimentando. Hoje temos uma vasta rede de informações no sistema financeiro, com corretoras e bancos oferecendo suporte. Ao longo do tempo você vai se adequando e obtendo os retornos coerentes com seu perfil e seus objetivos. Aqui, vamos tentar te ajudar a cruzar esse caminho de forma segura, rentável e, importante também, prazerosa!

  • Em busca da carteira perfeita. A carteira perfeita existe?

    Em busca da carteira perfeita. A carteira perfeita existe?

    Em janeiro de 2024 eu fiz uma live para falar do livro dos economistas Andrew Lo e Stephen Foerster, “Em busca da carteira perfeita”, que no Brasil foi publicado pela Alta Books como “Em busca do portfólio perfeito”. O livro resulta de anos de entrevistas que os autores fizeram com os grandes nomes das finanças em torno da seguinte questão: qual é a carteira que você considera ideal? Os entrevistados responderam com base em suas pesquisas e experiências em finanças e há vídeos na Internet dessas entrevistas. São fantásticas! Os entrevistados: Harry Markowitz (Nobel), Bill Sharpe (Nobel), Gene Fama (Nobel), Jack Bogle (fundador da Vanguard Investments), Myron Scholes (Nobel), Bob Merton (Nobel), Marty Leibowitz (Morgan Stanley), Bob Schiller (Nobel), Charley Ellis (Greenwich Associates) e Jeremy Siegel (Wharton School). Cada um deles tem um método para definir quais os ativos que farão parte de sua carteira, por quanto tempo e com qual expectativa de retorno. Foi em torno deles que se construiu a Teoria das Finanças e boa parte da prática das grandes empresas de gestão de recursos do mundo. Considero extremamente indicada a leitura do livro ou, pelo menos, que você assista ao vídeo da live que fiz. 

    Ao final do livro ele faz a sua própria sugestão que, na minha visão, incorpora boa parte do que os grandes mestres sugeriram. Para ele, não existe uma carteira universalmente ótima, válida para todas as pessoas e para todos os momentos. O portfólio adequado depende do investidor — idade, patrimônio, renda, necessidades futuras, tolerância a perdas, horizonte de investimento — e, crucialmente, essas características mudam ao longo da vida.

    Isso está diretamente ligado à sua Adaptive Markets Hypothesis. Lo contesta a ideia de que os mercados possam ser compreendidos apenas como sistemas perfeitamente racionais e eficientes. Investidores são seres humanos, sujeitos a medo, euforia, aprendizado, adaptação e mudança de comportamento. Da mesma maneira, o ambiente econômico e financeiro também muda.

    Então, como seria o “portfólio perfeito” de Andrew Lo?

    Ele teria algumas características fundamentais:

    • Diversificação, mas não simplesmente “ter muitos ativos”. O importante é possuir fontes diferentes de risco e retorno.
    • Adequação ao investidor: a carteira precisa refletir objetivos, horizonte, patrimônio, renda e capacidade de suportar perdas.
    • Adaptação ao longo do tempo: uma carteira ótima hoje pode deixar de ser ótima amanhã.
    • Disciplina, para evitar que medo e euforia destruam uma estratégia bem construída.
    • Atenção ao risco, e não apenas à maximização do retorno esperado.
    • Simplicidade suficiente para ser seguida. Uma estratégia teoricamente ótima que o investidor abandona durante uma crise não é ótima na prática.

    Há ainda uma distinção importante: capacidade de assumir risco não é a mesma coisa que disposição para assumir risco. Uma pessoa pode financeiramente suportar uma queda de 40%, mas psicologicamente ser incapaz de permanecer investida. O portfólio precisa funcionar para o ser humano que efetivamente o possui.

    O portfólio perfeito não é uma determinada combinação de ações, títulos e outros ativos. É aquele que permite ao investidor alcançar seus objetivos financeiros e, ao mesmo tempo, sobreviver às mudanças dos mercados e às próprias mudanças ao longo da vida.

    E há uma consequência muito importante para aposentadoria: o “portfólio perfeito” deixa de ser simplesmente aquele com maior retorno esperado e passa a ser aquele que maximiza a probabilidade de financiar os objetivos do investidor ao longo da vida, levando em consideração risco, horizonte, comportamento e mudanças de circunstâncias.

    Aliás, essa conclusão conversa bastante com aquela análise que fizemos da carteira 70% PETR4 / 30% CDI com aportes mensais: olhar apenas o retorno acumulado conta só metade da história. Para avaliar se aquela carteira seria realmente “boa”, no sentido de Lo, precisaríamos olhar também para volatilidade, drawdowns e, sobretudo, o que aconteceria com o patrimônio em diferentes datas de aposentadoria. Aí a discussão fica bem mais interessante.

  • Carteira de Investimentos é a estratégia vencedora.

    Carteira de Investimentos é a estratégia vencedora.

    Semana passada discuti o perfil de parte significativa da Geração Z e dos Millennials, que fazem parte dos investidores niilistas. Por conta da falta de confiança no sistema e no futuro, adotam estratégias arrojadíssimas que embutem riscos elevadíssimos. Recentemente tivemos um crash na bolsa de Seul, por conta das apostas alavancadas em empresas de semicondutores, como a Samsung e SK Hynix. Depois de uma alta meteórica de 170% entre janeiro e junho, o índice caiu 35%, pressionado pelo corre corre dos investidores desorientados. Cerca de 3,5% da população coreana, na maioria jovens, teve que depositar margens na bolsa. A promessa de ganhos enormes em pouco turbinou a demanda dos investidores locais, que adotaram a estratégia de tomar dinheiro emprestado para investir mais que seu próprio patrimônio. Se de um lado havia promessa de ganhos enormes, as perdas foram catastróficas para muitos.

    A forma mais consistente de acumular patrimônio é construí-lo continuamente, ao longo de anos de contribuição e boas alocações. É isso o que dizem os estudos em finanças e as histórias de sucesso. Investir é compartilhar dos resultados de grandes empresas ou do governo, que buscam funding no mercado para financiar suas atividades. As empresas precisam de capital para crescer, para aumentar sua abrangência, para financiar pesquisa ou para enfrentar a concorrência e ganhar novos mercados. Elas conseguem esse capital de duas formas: dívidas e ações. Quando as empresas emitem dívida, elas se comprometem a entregar aos seus financiadores uma parte do seu resultado sob a forma de juros, que são definidos no início do contrato. O único risco que o financiador corre é o da empresa ficar insolvente e não pagar seu débito. Se a empresa tiver resultados positivos ou negativos ao longo do empréstimo, isso não importa, ela pagará exatamente o que está no contrato.  Por outro lado, quando ela emite ações, o financiador passa a compartilhar os riscos do negócio, já que o retorno que o investidor terá depende dos lucros que a empresa terá ao longo do tempo. Na dívida, o investidor ganha de qualquer jeito, mas há um limite, definido pelos juros. Nas ações, o investidor toma o risco de perder o principal, mas não tem limite de ganhos caso a empresa decole e apresente resultados crescentes. 

    O investidor pode ir investindo mensalmente em sua conta de investimentos, alocando uma parte em títulos de renda fixa e outra em ações. Ele terá sempre dois riscos: o emissor dos títulos quebrar (risco de crédito) ou o valor dos títulos oscilar por conta das condições do mercado (risco de mercado). Mas as pesquisas em finanças mostram que os investimentos têm resultados positivos no longo prazo, desde que o investidor escolha boas empresas e bons governos para comprar títulos e ações. O professor da Wharton, faculdade de negócios da Universidade da Pensilvânia, Jeremy Siegel, mostrou em seu livro “Ações para o Longo Prazo”, que em janelas de 30 anos, ações e títulos têm retornos positivos, com ações rendendo mais que títulos. O fato de renderem mais é fácil de explicar: nas ações o investidor recebe 100% do lucro das empresas, nos títulos, o retorno é limitado pela taxa de juro definida na aplicação. É claro que no meio desses 30 anos haverá momentos de queda das ações e dos títulos, mas a carteira, no final do prazo de 30 anos, sai ganhando.

    Veja uma simulação simples, baseada no Brasil, na qual um investidor aplica em sua conta de investimentos R$ 100 reais por mês. Ele compra R$ 70 em ações da Petrobrás e R$ 30 em CDB que rende 100% do CDI. Vamos supor que o investidor tenha feito essa estratégia desde 01/jan/1995 e, a cada janeiro, tenha corrigido seus aportes pelo IPCA. Veja como ficou a conta de investimentos dele:

    CDB 100% do CDI: rendimento 8.109%, ou 14,98% aa.

    Ações Petrobrás PN: 4.945%, ou 13,22% aa.

    IPCA: 652,86%, ou 6,64% aa.

    Depois de todos os depósitos, o investidor teria um saldo de R$ 773.600,00. Aplicando esse valor em uma NTN-B de 35 anos (vencimento 2060), ele teria uma renda mensal de R$ 5.208,00, corrigidos pelo IPCA por 35 anos. Essa alocação, que tem 70% em ações e 30% em renda, é tradicionalmente chamada de 70/30 e é muito utilizada mundo afora. Ou seja, após esses anos de aporte à conta de investimentos, o investidor teria sua “aposentadoria” garantida.

    É claro que tudo parece simples demais, mas, na verdade, não é bem assim. Ao longo dos anos, de 1995 para cá, o investidor enfrentou a volatilidade dos mercados, que fez os preços das ações e dos títulos subirem e caírem sem parar. Ele precisou dedicar alguma energia para obter esse retorno e, junto com ela, muita paciência. Já dizia Milton Friedman: não existe almoço grátis.

    Apesar dessa volatilidade, que pode ter tirado o sono do investidor por algumas noites nesses 31 anos, ele sabia o risco que estava correndo e o potencial que sua carteira de investimentos tinha. Se ele fosse, no entanto, brigar com os mercados para arrancar mais rápido os R$ 650 mil que o investidor obteve em suas aplicações em títulos e ações. Ele até poderia ter ganhado isso ou muito mais. Ocorre, porém, que a história joga contra esse resultado. Na imensa maioria das vezes, os investidores perdem do mercado e podem ficar sem seu investimento principal. Se ficasse tentando obter rapidamente esses R$ 650 mil, durante esses 31 anos, com alguma aposta ambiciosa, possivelmente ele teria chegado hoje sem um centavo na conta. Isso é o que as pesquisas mostram. Na verdade, os investidores de longo prazo jogam com seu maior aliado: o tempo. Depois dele, os juros e a capacidade empresarial fazem o resto do trabalho. Títulos e ações não são uma aposta bilionária, mas te entregam a aposentadoria com pouca chance de falhar. Vale a pena conferir.

    #finanças #aposentadoria #ações #rendafixa  

  • IPCA-15: Prévia da inflação avança 0,06% em julho, abaixo das expectativas; em 12 meses, fica em 4,52%

    IPCA-15: Prévia da inflação avança 0,06% em julho, abaixo das expectativas; em 12 meses, fica em 4,52%

    A prévia da inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), avançou 0,06% em julho, segundo dado divulgado pelo IBGE nesta terça-feira (28), e fechou o período de 12 meses com alta acumulada de 4,52%.

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    O número desacelerou na comparação mensal e anual, após alta de 0,41% em junho e de 4,80% no acumulado em 12 meses no mês anterior. O número indica inflação acima do teto da meta do Banco Central — a meta é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos.

    A estimativa do mercado indicava alta de 0,21% para o IPCA-15 neste mês, de acordo com a mediana da pesquisa Projeções Broadcast. Para 12 meses, a projeção era de 4,67%.

    Os grupos do IPCA-15

    Entre os destaques do período do IPCA-15, estão os grupos de Habitação com alta de 0,97%, sendo um impacto de 0,15 p.p no índice. O principal fator que pesou para o resultado mais forte foi a energia elétrica que avançou 3,03% no mês.

    Logo em seguida, aparece o grupo de Saúde e cuidados pessoais, com aumento de 0,28% no mês de julho (impacto de 0,04 p.p), com influência predominante pelos produtos de higiene pessoal (0,51%).

    Outro destaque entre os grupos que contribuíram para a alta do índice foi o grupo de Transportes, que saiu de um impacto negativo em junho para alta de 0,11%. Passagens aéreas foi o principal subitem responsável pela contribuição positiva com alta de 11,70%, enquanto combustíveis tiveram uma queda de 0,90%.

    Já na outra ponta, os grupos que ajudaram a desacelerar a inflação foram Alimentação e bebidas (-0,66%) e Vestuário (-0,33%).

  • Núcleo da inflação dos EUA sobe 0,1% em junho

    Núcleo da inflação dos EUA sobe 0,1% em junho

    O núcleo do índice de Preços para Gastos com Consumo Pessoal (PCE), principal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve (Fed), avançou 0,1% em junho na comparação com maio, segundo dados …

    Já o PCE cheio, que inclui os preços de alimentos e energia, recuou 0,1% no mês, mas registra avanço de 3,7% na comparação anual. Além da inflação, o relatório mostrou que a renda pessoal dos american…

  • Fed mantém os juros em 3,75%

    Fed mantém os juros em 3,75%

    O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve a taxa de juros do país inalterada na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano — menor nível desde setembro de 2022. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (29), veio em linha com a expectativa do mercado financeiro.

    Foi a quinta reunião consecutiva em que o banco central dos EUA manteve os juros no mesmo nível. A decisão foi influenciada, entre outros fatores, pela persistência da alta do petróleo, em meio à continuidade da guerra no Oriente Médio, o que reforça as preocupações do Fed com a inflação.

    Em um comunicado mais curto do que o de costume, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) afirmou, em sua decisão, que a atividade econômica segue se expandindo em ritmo sólido “apesar da elevada incerteza, decorrente, em parte, do conflito no Oriente Médio”.

    O presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que o comunicado não busca antecipar os próximos passos sobre as decisões de juros.

  • A correção da aposentadoria

    A correção da aposentadoria

    O Governo Federal divulgou as projeções para o reajuste das aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para o ano de 2026. Os dados do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) indicam um reajuste de 4,66% para os benefícios pagos acima do salário mínimo.

    O valor máximo de pagamento de benefícios da Previdência, chamado de “teto do INSS”, deve subir dos atuais R$ 8.157,41 para R$ 8.537,55 a partir de janeiro de 2026.

    Detalhes do reajuste: INPC e Ganho Real

    O percentual de 4,66% de correção para os benefícios que superam o piso nacional corresponde à inflação estimada pelo governo federal para 2025, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Este índice é a referência legal para o reajuste dessas aposentadorias e pensões, garantindo a manutenção do poder de compra dos segurados.

    O PLOA, documento que contém as projeções e foi encaminhado ao Congresso Nacional, é a base para as estimativas. O índice final de correção para 2026 será oficializado somente em janeiro, após a divulgação do INPC acumulado de janeiro a dezembro de 2025 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    Salário Mínimo e impacto na Previdência

    A projeção do governo também aponta para um aumento no salário mínimo nacional. O valor, atualmente em R$ 1.518, pode subir para R$ 1.631 em 2026.

    Este valor representa um aumento de 7,45% e considera a estimativa de inflação de 4,78% para 2025 mais o ganho real (crescimento do Produto Interno Bruto – PIB). O reajuste do salário mínimo é oficializado por decreto presidencial e é crucial, pois define o piso previdenciário.

    Os benefícios de um salário mínimo (aposentadoria, auxílio-doença, pensão por morte e Benefício de Prestação Continuada – BPC) são corrigidos pelo valor integral do novo salário mínimo.

    Público afetado e cronograma de pagamento

    As projeções de reajuste afetam uma vasta parcela da população brasileira:

    • 2,1 milhões de beneficiários recebem acima do salário mínimo.
    • 28,3 milhões de aposentados e pensionistas recebem até um salário mínimo, segundo dados do INSS.

    Embora o calendário de pagamentos do INSS para 2026 ainda não tenha sido divulgado, o cronograma segue um padrão tradicional:

    • Os segurados que recebem até um salário mínimo geralmente passam a receber o valor reajustado nos últimos dias úteis de janeiro.
    • Os pagamentos para quem ganha acima do piso nacional costumam começar no primeiro dia útil de fevereiro.