SELIC 15,00% ▲ 0,00pp IBOVESPA 132.480 ▼ 0,4% IPCA (12m) 4,2% ▲ 0,1pp USD/BRL 5,42 ▼ 0,2% CDI 14,90% — estável IFIX 3.310 ▲ 0,3% SELIC 15,00% ▲ 0,00pp IBOVESPA 132.480 ▼ 0,4% IPCA (12m) 4,2% ▲ 0,1pp USD/BRL 5,42 ▼ 0,2% CDI 14,90% — estável IFIX 3.310 ▲ 0,3%

Carteira de Investimentos é a estratégia vencedora.

Semana passada discuti o perfil de parte significativa da Geração Z e dos Millennials, que fazem parte dos investidores niilistas. Por conta da falta de confiança no sistema e no futuro, adotam estratégias arrojadíssimas que embutem riscos elevadíssimos. Recentemente tivemos um crash na bolsa de Seul, por conta das apostas alavancadas em empresas de semicondutores, como a Samsung e SK Hynix. Depois de uma alta meteórica de 170% entre janeiro e junho, o índice caiu 35%, pressionado pelo corre corre dos investidores desorientados. Cerca de 3,5% da população coreana, na maioria jovens, teve que depositar margens na bolsa. A promessa de ganhos enormes em pouco turbinou a demanda dos investidores locais, que adotaram a estratégia de tomar dinheiro emprestado para investir mais que seu próprio patrimônio. Se de um lado havia promessa de ganhos enormes, as perdas foram catastróficas para muitos.

A forma mais consistente de acumular patrimônio é construí-lo continuamente, ao longo de anos de contribuição e boas alocações. É isso o que dizem os estudos em finanças e as histórias de sucesso. Investir é compartilhar dos resultados de grandes empresas ou do governo, que buscam funding no mercado para financiar suas atividades. As empresas precisam de capital para crescer, para aumentar sua abrangência, para financiar pesquisa ou para enfrentar a concorrência e ganhar novos mercados. Elas conseguem esse capital de duas formas: dívidas e ações. Quando as empresas emitem dívida, elas se comprometem a entregar aos seus financiadores uma parte do seu resultado sob a forma de juros, que são definidos no início do contrato. O único risco que o financiador corre é o da empresa ficar insolvente e não pagar seu débito. Se a empresa tiver resultados positivos ou negativos ao longo do empréstimo, isso não importa, ela pagará exatamente o que está no contrato.  Por outro lado, quando ela emite ações, o financiador passa a compartilhar os riscos do negócio, já que o retorno que o investidor terá depende dos lucros que a empresa terá ao longo do tempo. Na dívida, o investidor ganha de qualquer jeito, mas há um limite, definido pelos juros. Nas ações, o investidor toma o risco de perder o principal, mas não tem limite de ganhos caso a empresa decole e apresente resultados crescentes. 

O investidor pode ir investindo mensalmente em sua conta de investimentos, alocando uma parte em títulos de renda fixa e outra em ações. Ele terá sempre dois riscos: o emissor dos títulos quebrar (risco de crédito) ou o valor dos títulos oscilar por conta das condições do mercado (risco de mercado). Mas as pesquisas em finanças mostram que os investimentos têm resultados positivos no longo prazo, desde que o investidor escolha boas empresas e bons governos para comprar títulos e ações. O professor da Wharton, faculdade de negócios da Universidade da Pensilvânia, Jeremy Siegel, mostrou em seu livro “Ações para o Longo Prazo”, que em janelas de 30 anos, ações e títulos têm retornos positivos, com ações rendendo mais que títulos. O fato de renderem mais é fácil de explicar: nas ações o investidor recebe 100% do lucro das empresas, nos títulos, o retorno é limitado pela taxa de juro definida na aplicação. É claro que no meio desses 30 anos haverá momentos de queda das ações e dos títulos, mas a carteira, no final do prazo de 30 anos, sai ganhando.

Veja uma simulação simples, baseada no Brasil, na qual um investidor aplica em sua conta de investimentos R$ 100 reais por mês. Ele compra R$ 70 em ações da Petrobrás e R$ 30 em CDB que rende 100% do CDI. Vamos supor que o investidor tenha feito essa estratégia desde 01/jan/1995 e, a cada janeiro, tenha corrigido seus aportes pelo IPCA. Veja como ficou a conta de investimentos dele:

CDB 100% do CDI: rendimento 8.109%, ou 14,98% aa.

Ações Petrobrás PN: 4.945%, ou 13,22% aa.

IPCA: 652,86%, ou 6,64% aa.

Depois de todos os depósitos, o investidor teria um saldo de R$ 773.600,00. Aplicando esse valor em uma NTN-B de 35 anos (vencimento 2060), ele teria uma renda mensal de R$ 5.208,00, corrigidos pelo IPCA por 35 anos. Essa alocação, que tem 70% em ações e 30% em renda, é tradicionalmente chamada de 70/30 e é muito utilizada mundo afora. Ou seja, após esses anos de aporte à conta de investimentos, o investidor teria sua “aposentadoria” garantida.

É claro que tudo parece simples demais, mas, na verdade, não é bem assim. Ao longo dos anos, de 1995 para cá, o investidor enfrentou a volatilidade dos mercados, que fez os preços das ações e dos títulos subirem e caírem sem parar. Ele precisou dedicar alguma energia para obter esse retorno e, junto com ela, muita paciência. Já dizia Milton Friedman: não existe almoço grátis.

Apesar dessa volatilidade, que pode ter tirado o sono do investidor por algumas noites nesses 31 anos, ele sabia o risco que estava correndo e o potencial que sua carteira de investimentos tinha. Se ele fosse, no entanto, brigar com os mercados para arrancar mais rápido os R$ 650 mil que o investidor obteve em suas aplicações em títulos e ações. Ele até poderia ter ganhado isso ou muito mais. Ocorre, porém, que a história joga contra esse resultado. Na imensa maioria das vezes, os investidores perdem do mercado e podem ficar sem seu investimento principal. Se ficasse tentando obter rapidamente esses R$ 650 mil, durante esses 31 anos, com alguma aposta ambiciosa, possivelmente ele teria chegado hoje sem um centavo na conta. Isso é o que as pesquisas mostram. Na verdade, os investidores de longo prazo jogam com seu maior aliado: o tempo. Depois dele, os juros e a capacidade empresarial fazem o resto do trabalho. Títulos e ações não são uma aposta bilionária, mas te entregam a aposentadoria com pouca chance de falhar. Vale a pena conferir.

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