O investidor precisa diversificar sua carteira para diluir os riscos inerentes aos investimentos. Se o plano é investidor pode uma, duas ou várias décadas, sabemos que nesse horizonte de tempo há uma probabilidade razoável de ocorrer problemas em alguns ativos. Empresas podem passar por quedas em suas vendas, em mudanças significativas em seus mercados ou, o que é frequente, sofrer os impactos das altas e baixas da taxa de crescimento da economia como um todo. Isso afeta os títulos de dívida e ações de empresas e os títulos da dívida pública. Cada um desses eventos tem o potencial fazer com que os preços de mercado desses títulos varie em algumas direções e magnitudes. Não conseguimos prever quando uma oscilação vai ocorrer, nem sua intensidade. Essa incerteza acerca do futuro, que faz os preços oscilarem, é chamada de risco.
Dentro os ativos – ações, títulos públicos e privados, cotas de fundos – os impactos dessas mudanças conjunturais são específicas. Ações têm uma sensibilidade muito grande aos ciclos da economia, os títulos do tesouro funcionam como seguro contra a volatilidade dos mercados acionário e de câmbio, títulos privados podem atuar como amortecedores, já que podem ficar sem a marcação a mercado e assim por diante. A moderna teoria das finanças tem um consenso sobre a diversificação do risco: é importante distribuir ativos na sua carteira que tenham comportamento diferente a cada “choque” que o mercado sofre. Dessa forma, o risco de um ativo não está relacionado ao risco de outro ativo, o que limita a probabilidade da carteira ter sua rentabilidade comprometida quando uma empresa, setor ou, até mesmo, país entra em queda forte.
No exterior, principalmente nos EUA, os investidores adotam uma estratégia de 70/30, ou seja, 70% em ações e 30% em renda fixa, para investimentos de longo prazo. Há maneiras diferentes de justificar essa escolha e táticas variadas para chegar a essa distribuição. Mas aqui, sobretudo pela volatilidade histórica de nossa bolsa e pela falta de tradição dos investidores na prática de construir carteiras de longo prazo, a distribuição se investe: 30% em ações e 70% em renda fixa.
É claro que essa inversão não é tão subjetiva: temos taxas de juros muito elevadas que tornam as relações risco/retorno de ações e renda fixa muito mais favoráveis aos últimos. Com juros reais superiores e 6% (nos EUA eles geralmente ficam ao redor 1,5% ou 2%), os brasileiros têm um atalho bastante sedutor na renda fixa. Nos EUA, os investidores são obrigados a correr para ações para garantir retornos reais compatíveis com seus projetos de aposentadoria. Aqui no Brasil, eles conseguem os mesmos resultados sem se preocupar com os riscos de mercado. É fácil entender que renda fixa oferece muitas vantagens aqui em comparação com os títulos da mesma classe nos EUA ou Europa.
Mas em quais títulos de renda fixa investir?
Temos títulos públicos e privados e temos títulos cujas remunerações seguem regras diferentes. Mas o fundamental é entender que os títulos de renda fixa também têm oscilações de preços (marcação a mercado), o que pode fazer o valor de sua carteira aumentar ou cair ao longo do tempo. Em relação aos títulos públicos, a vantagem é que o risco de crédito (risco do tesouro quebrar) é próximo a zero. Em relação aos privados, o risco é proporcional à saúde financeira da empresa ao longo do tempo. Em geral, podemos seguir os sinais dados pelas agências de risco (S&P, Moody’s. Fitch e outras), que nos informam sobre a capacidade do devedor honrar seus compromissos. Empresas com risco baixo, pagam menos. Empresas com risco maior, pagam mais, para compensar o credor pelo risco corrido. Depois disso, é importante escolher que tipo de remuneração o investidor quer: pré fixada, indexada ao CDI/SELIC ou indexada ao IPCA. Cada uma das remunerações se adequa ao perfil de risco do investidor e às perspectivas do mercado para o cenário vigente na época da aplicação. Assim, ao escolher a parcela de sua carteira que será composta de renda fixa, o investidor escolhe entre títulos públicos ou privados, e entre títulos remunerados ao IPCA, CDI/SELIC ou pré fixados. Cada um desses títulos tem uma relação risco/retorno e ao investidor cabe escolhê-los de acordo com seus objetivos de investimentos e seu apetite de risco.
Há uma regra? Na verdade, há centenas delas, mas você deve começar a investir antes de tudo. Escolha seus objetivos e vá experimentando. Hoje temos uma vasta rede de informações no sistema financeiro, com corretoras e bancos oferecendo suporte. Ao longo do tempo você vai se adequando e obtendo os retornos coerentes com seu perfil e seus objetivos. Aqui, vamos tentar te ajudar a cruzar esse caminho de forma segura, rentável e, importante também, prazerosa!

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