O estrategista financeiro Demetri Kofinas, que tem o site Hidden Forces, cunhou o termo Niilismo Financeiro para designar os membros da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2010) e dos Millennials (nascidos entre 1981 e 1996) que ficaram totalmente desiludidos com o sistema financeiro tradicional. Acreditam que os investimentos tradicionais não são suficientes para garantir seu futuro e uma aposentadoria segura e confortável. A inflação, a elevadíssima dívida estudantil e as dificuldades para adquirir a casa própria são as principais, dentro de uma série de causas. Como investidores, não têm paciência e segurança para rendimentos “normais” e preferem partir para o tudo ou nada, ou o all in, velha estratégia arriscada das mesas de jogos de azar.
Rendimentos de 4% a 12% ao ano são caminhos longos demais para os niilistas, que acreditam na possibilidade de ganhar boladas operando em criptomoedas, apostas esportivas ou mercados de previsão. Não há tempo a perder e, pior, eles veem riscos elevados na compra de títulos de governos ou empresas que podem falir, ou mesmo em ações de empresas sólidas e dinâmicas. Eles preferem as meme stocks, ações de pequenas empresas que, por conta de alguma mania, podem disparar e subir dezenas de vezes. Por conta de sua desilusão com o “sistema”, decidem se jogar de cabeça em operações que prometem bilhões de lucros em poucas tacadas.
É bom demais para ser verdade…
Tanto os jogos de azar, como as apostas em bets ou sites de previsão, como as criptomoedas e as meme stocks, têm em comum o fato de que a banca sempre ganha. São jogos de soma zero, nos quais alguém precisa perder para que alguém possa ganhar. Se a decepção com o mercado tradicional, nos dias de hoje, ou a ganância, que sempre turbinou a presença nos cassinos ou nas bolhas de ações, são justificativas para a corrida ao risco alucinado, a ciência econômica ainda está correndo atrás das verdadeiras causas que levam pessoas a ações irracionais como essas. A teoria econômica trabalhou por muito tempo com a hipótese de que os agentes econômicos são racionais, o que significa que tomam suas decisões a partir de escolhas criteriosas e lógicas, que buscam maximizar sua satisfação. O all in dos niilistas viola boa parte das suposições da economia tradicional e só consegue ser contemplado nas pesquisas contemporâneas, no campo da Economia Comportamental. Mas, independentemente das formas de se abordar a questão, uma coisa é certa: a chance de alguém, em média, assegurar sua segurança financeira por meio dessa estratégia é zero.
As mudanças demográficas, que tornaram a expectativa de vida mais alta, exigem que trabalhemos mais e que tenhamos, ao final do período, uma aposentadoria para assegurar um padrão de vida confortável e compatível com as exigências da velhice. Depender da previdência social é o maior dos riscos que podemos assumir, afinal só os custos com cuidados da saúde atingem valores elevadíssimos até para quem está na ativa. Um aposentado dar conta de despesas como convênio médico, médicos, remédios e outros tratamentos é cada vez mais pesado. A renda na aposentadoria também precisará existir por um período maior, já que vivemos mais. Com tudo isso, contar com a aposentadoria do INSS, cujo teto é de R$ 8.474, é arriscado demais. Construir uma conta de investimentos desde cedo, adotando uma estratégia correta para as alocações, é a única escolha racional para qualquer membro das gerações Z ou Millennial.
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