SELIC 15,00% ▲ 0,00pp IBOVESPA 132.480 ▼ 0,4% IPCA (12m) 4,2% ▲ 0,1pp USD/BRL 5,42 ▼ 0,2% CDI 14,90% — estável IFIX 3.310 ▲ 0,3% SELIC 15,00% ▲ 0,00pp IBOVESPA 132.480 ▼ 0,4% IPCA (12m) 4,2% ▲ 0,1pp USD/BRL 5,42 ▼ 0,2% CDI 14,90% — estável IFIX 3.310 ▲ 0,3%

O BC interrompeu o ciclo de queda e manteve a SELIC em 13,75%

Acusando a incerteza global e a piora das expectativas de inflação (Focus) no Brasil, o Comitê de Política Monetária do BC resolveu manter a taxa Selic inalterada, em 13,75%. O ano começou com a taxa em 15% e ela caiu cinco vezes desde então. Esperava-se há uma semana que ela terminasse o ano em 13,25% e 2027 em 11,75%. Agora o mercado espera 13,75% e 12,50%, um cenário mais salgado para nossa economia, com certeza.

Fiquei atento às discussões que foram feitas nos grupos de WhatsApp dos quais participo, logo depois do anúncio da decisão. Houve uma dispersão razoável em relação às reações de meus colegas. Uns acharam o comunicado muito suave (dove); outros acharam nem tão suave. Nenhum deles achou o comunicado durão (Hawk), com certeza. Estou falando de uma amostra de 30 ou 40 pessoas, se tanto. Tão pouca gente e não houve unanimidade. Levando em conta que apenas uma parcela da sociedade reflete a respeito das decisões do Copom, digamos 1% ou 2% da população, podemos ter entre 2,1 milhões e 4,3 milhões de pessoas discutindo o assunto, além do exército do Janones, estimado em mais de 10 milhões de pessoas. Se é possível tomar meus grupos de WhatsApp como parâmetro, é bem provável que tenhamos milhões de reações diferentes em relação à decisão tomada por nove pessoas. Foram 281 reuniões desde que o Copom foi estabelecido em 1996 e acompanhei todas elas desde então. Muita coisa mudou, para melhor, mas essa dispersão de reações continua a mesmíssima. Houve época em que associações patronais se juntavam a centrais sindicais e iam para a porta do BC, na Avenida Paulista, protestar contra os juros altos. Muitas vezes, os presidentes da FIESP deram declarações acaloradas contra o absurdo dos juros altos e suas consequências negativas para os negócios. Jornalistas levaram à exaustão o argumento segundo o qual os juros subiam para enriquecer os rentistas. Políticos de esquerda, de centro, de direita e de qualquer posição subiram aos púlpitos das casas legislativas para declarar guerra aos membros do Copom que, “com toda a certeza”, trabalhavam para o mercado financeiro. E, no mercado financeiro, quase ninguém ficou cem por cento satisfeito com nenhuma dessas duzentas e oitenta e uma decisões. A taxa SELIC é o instrumento mais polêmico que temos na economia (1).

Essa decisão vem ao sabor da vitória de Lula e da expectativa em torno do novo ministério e do novo projeto fiscal. O Ibovespa caiu 41.000 pontos, o dólar subiu 10% e os juros explodiram em função de tal indeterminação. Soma-se a isso, para piorar tudo, o fato de terem requentado a ideia de derrubar juros para produzir economia fiscal (2). A inflação projetada para dez anos, praticada nos juros dos títulos de 10 anos, foi para 6,85% ao ano, o que implica que a inflação acumulada projetada para dez anos é de 95% (3).

Com certeza, haverá muita discussão na sociedade civil e na Faria Lima, que talvez não faça parte da sociedade civil. Os aliados mais à esquerda do governo vão protestar contra o presidente do BC, sem lembrar que quem o escolheu foi o próprio presidente Lula. Os empresários, aglutinados em suas associações e sindicatos, vão chiar. Mas é possível que os preços do mercado, incluindo ações, juros dos títulos públicos e privados, o dólar e as expectativas de inflação, fiquem mais estáveis. O BC tem a ingrata missão de coordenar as expectativas da sociedade em relação à estabilidade da moeda. Quando ele adota uma posição mais dura, comprometida com sua meta, ele consegue, ao menos por um tempo, estabilizar os preços. É isso o que tinham em mente os diretores ao tomarem essa decisão de manter a SELIC em 13,75%. É claro que há um custo para manter essas expectativas estabilizadas (ancoradas), e ele é mais alto sempre que há muita “confusão” na sociedade. O custo de ajustar a trajetória da inflação é mais alto em países com histórico de inflação elevada e com baixa credibilidade na política fiscal. Olhando por esse prisma, os diretores seguem à risca os ensinamentos dos dois prêmios Nobel de Economia deste ano: Robert Hall e Michel Woodford. Quando as expectativas inflacionárias pioram, o BC reage elevando os juros. Foi o que fizeram. Vamos ver como será o pregão em D1.

(1) Os impostos, outro instrumento, são detestados unanimemente.

(2) Vou falar disso em breve, em outra postagem, mas trata-se da ideia do André Lara Resende de levar a SELIC aos 7,5% em 12 meses. Eles já havia feito algo parecido com isso nos anos 2010.

(3) A ANBIMA calcula isso todos os dias e deixa disponível em seu site. Trata-se da diferença das taxas das LTN (pré-fixadas) e NTN-B (IPCA). É o que o governo paga para sossegar os seus credores para que eles não tenham perdas reais com a inflação. Site: https://www.anbima.com.br/informacoes/est-termo/CZ.asp  


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